O Banco do Brasil divulgará, após o pregão desta quarta-feira (13), resultados do 1T26 que devem apontar queda expressiva de lucro e rentabilidade, enquanto a revogação do imposto para compras internacionais de até US$ 50 e o acirramento do conflito entre Estados Unidos e Irã reposicionam, respectivamente, o varejo on-line e todo o setor de energia nos mercados globais.
Lucro pressionado e inadimplência elevada desafiam o Banco do Brasil
Analistas consultados por diferentes casas de investimento estimam que o Banco do Brasil apresente recuo de até 20 % no lucro líquido ajustado do primeiro trimestre, com retorno sobre o patrimônio (ROE) projetado em torno de 7,3 %, mínima em vários anos. O núcleo do problema está na escalada das provisões para devedores duvidosos, estimulada por um avanço da inadimplência entre grandes empresas e clientes do agronegócio.
A expectativa de deterioração da carteira de crédito já se reflete no preço das ações (BBAS3), que acumulam perda superior a 15 % desde o início de 2026. Para os especialistas, o foco do balanço será a evolução das provisões, cuja ampliação adicional poderia comprometer ainda mais a rentabilidade. O mercado também aguarda sinais sobre eventual revisão de guidance para margem financeira, uma vez que o banco admite “cenário de maior desafio” à frente.
Mesmo com o ciclo de aperto monetário já encerrado, a demanda por crédito continua fraca, sobretudo no segmento corporativo, onde a taxa média de inadimplência do sistema alcançou 3,7 % em março, contra 2,9 % um ano antes. O Banco do Brasil, exposto a grandes produtores rurais e exportadores, viu a proporção de atrasos acima de 90 dias saltar para 2,4 %. Esse movimento reforça a percepção de que, no curto prazo, não há gatilhos de reprecificação favoráveis.
Isenção de imposto até US$ 50 muda a dinâmica do varejo on-line
Em paralelo, o Executivo confirmou nesta manhã a eliminação do imposto de importação para compras internacionais de até US$ 50, medida popularmente conhecida como “taxa das blusinhas”. A iniciativa deverá impactar diretamente as ações de varejistas locais e plataformas de comércio eletrônico, como Mercado Livre, Magalu e Americanas, ao reduzir o custo final de produtos adquiridos em sites estrangeiros como Shein e Shopee.
Dados da Receita Federal apontam que transações nessa faixa de valor representam mais de 70 % dos volumes importados via remessa postal. Com a isenção, a defasagem de preços entre itens nacionais e estrangeiros pode crescer até 35 %, segundo cálculos de consultorias de varejo. Investidores, portanto, monitoram possíveis ajustes de margem, campanhas promocionais e repasses de custo que empresas listadas precisarão executar para preservar competitividade doméstica.
Especialistas também mencionam a pressão sobre a logística interna. O aumento do fluxo de pedidos internacionais tende a congestionAR terminais de triagem, exigindo reforço de infraestrutura por parte dos Correios e operadores privados. Enquanto isso, fundos imobiliários logísticos veem na decisão um vetor positivo: a maior rotatividade de estoque impulsiona demanda por galpões próximos aos grandes centros urbanos.
Conflito EUA-Irã reduz projeções de oferta e demanda de petróleo
Paralelamente, a Agência Internacional de Energia (AIE) cortou nesta quarta-feira suas estimativas tanto de oferta quanto de demanda globais de petróleo para 2026, refletindo os riscos de interrupção de rotas no Estreito de Ormuz após novos confrontos entre Estados Unidos e Irã. Mesmo assim, o Brent recuava 0,50 % por volta das 8h30, em movimento atribuído a realização de lucros de curto prazo.
O recrudescimento da crise geopolítica, porém, sustenta expectativas de maior volatilidade adiante. Para o Brasil, eventual escalada de preços internacionais pressiona a política de paridade da Petrobras e também o custo de fertilizantes, crucial para a próxima safra. No cenário externo, bolsas asiáticas fecharam em alta, com o Kospi subindo 2,63 %; já os principais índices europeus operavam sem direção única.
No mercado doméstico, o Ibovespa terminou a última sessão em 180.342 pontos, queda de 0,86 %, enquanto o dólar encerrou a R$ 4,89. A agenda desta quarta traz, além do resultado do Banco do Brasil, números de varejo, pesquisa eleitoral Quaest e balanços de CSN e Braskem, compondo quadro de elevada sensibilidade a qualquer surpresa negativa.
Reação dos investidores e próximos indicadores
Profissionais de mesa relatam aumento de busca por proteção via contratos de opções tanto em BBAS3 quanto em papéis do setor de energia. A volatilidade implícita de opções de 30 dias para o banco subiu de 27 % para 34 % em apenas três sessões, enquanto o spread entre contratos futuros de gasolina A e o preço à vista avançou para R$ 0,18 por litro, sugerindo expectativa de reajuste da Petrobras.
No front macroeconômico, os agentes acompanham hoje, nos Estados Unidos, a divulgação do PPI de abril e declarações de dirigentes do Federal Reserve, eventos capazes de mexer com o dólar e as taxas de juros brasileiras. Internamente, a curva de DI precifica Selic estável em 10,50 % até setembro, mas futuros curtos já embutem probabilidade crescente de corte limitado a 25 p.b. em dezembro, caso o choque externo encareça ainda mais os combustíveis.
Conclusão técnica
A divulgação do balanço do Banco do Brasil nesta noite deve confirmar o enfraquecimento operacional previsto pelo mercado, reforçando cautela com o setor bancário tradicional em meio a inadimplência ascendente. Simultaneamente, a revogação do imposto para remessas de até US$ 50 redefine a competição no varejo eletrônico, pressionando margens e favorecendo players internacionais. Por fim, a continuidade das tensões entre EUA e Irã mantém a matriz energética mundial em estado de alerta, com impactos diretos nos preços de petróleo, inflação global e política de combustíveis no Brasil. Esses três vetores — crédito, consumo e energia — devem permanecer no radar de analistas e investidores ao longo dos próximos trimestres, guiando decisões estratégicas de alocação em renda variável e proteção cambial.



