Dívida dos clubes da Série A chega a R$ 14,3 bi em 2025 e expõe pressão financeira sobre Atlético-MG e Botafogo

O endividamento líquido dos 20 clubes da Série A do Campeonato Brasileiro alcançou R$ 14,3 bilhões em 2025, avanço de 15 % em relação ao ano anterior, segundo estudo da EY; Atlético-MG e Botafogo respondem pelas maiores fatias, cada um com obrigações superiores a R$ 2 bilhões, enquanto a receita total do grupo avançou para R$ 14,9 bilhões no mesmo intervalo.

Escalada do passivo e ranking dos principais devedores

A consultoria EY apurou que as dívidas consolidadas dos participantes da elite nacional cresceram em ritmo superior ao incremento das receitas, impulsionadas por dívidas tributárias, empréstimos bancários e antecipações de receitas futuras. O levantamento mostra:

  • Atlético-MG e Botafogo com passivos acima de R$ 2 bilhões cada;
  • Corinthians e Palmeiras próximos de R$ 1 bilhão em obrigações;
  • Um total de R$ 14,3 bilhões somados, contra R$ 12,4 bilhões em 2024.

No caso do Corinthians, parte relevante da dívida referente à Arena está segregada em demonstração financeira específica, fator que limita a comparação direta com os rivais, segundo a EY.

Índice dívida/receita revela disparidades severas

Ao relacionar endividamento líquido e receita total, o índice indica quantas vezes a arrecadação anual cobre o passivo acumulado. O Atlético-MG apresenta a relação mais pressionada, em 3,44 vezes, seguido por Corinthians (2,81) e São Paulo (2,24). Em contrapartida, seis agremiações operaram com dívidas inferiores ao faturamento:

  1. Fluminense: 0,99
  2. Ceará: 0,84
  3. Palmeiras: 0,83
  4. Bahia: 0,69
  5. Fortaleza: 0,66
  6. Flamengo: 0,42

Juventude e Mirassol não registraram endividamento líquido no período, o que os posiciona em situação financeira menos onerosa.

Dentre os casos extremos, o Bahia reduziu 80 % do passivo, de R$ 821 milhões para R$ 168 milhões, graças à conversão de mútuo com o Grupo City em adiantamento para aumento de capital. Já o Ceará viu sua dívida saltar 267 %, de R$ 44 milhões para R$ 161 milhões, reflexo de novos empréstimos e da elevação da folha salarial após o retorno à primeira divisão.

Fontes de receita e concentração de ganhos

Apesar do quadro de endividamento, a receita conjunta subiu para R$ 14,9 bilhões em 2025, alta de 33 % frente a 2024. Entre 2021 e 2025, o crescimento acumulado atingiu 73 %. A análise da EY evidencia forte concentração: Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense somaram 49 % do faturamento setorial.

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O recorte por fonte mostra:

  • Direitos de transmissão e premiações: R$ 4,9 bilhões;
  • Transferências de atletas: R$ 3,9 bilhões, incremento de 45 % em 12 meses;
  • Demais receitas comerciais e matchday completando o total.

A primeira edição da Copa do Mundo de Clubes impactou positivamente o fluxo de caixa dos participantes. O Fluminense, semifinalista, elevou em 247 % as receitas de mídia, de R$ 167 milhões para R$ 580 milhões.

Tributos e empréstimos compõem ênfase do risco

No passivo tributário, quatro instituições reúnem 62 % da dívida total: Corinthians, Botafogo, Fluminense e Atlético-MG. Em movimento inverso, Juventude, Internacional e São Paulo reduziram esse débito em 35 %, 19 % e 9 %, respectivamente. Entre os aumentos mais agudos estão Cruzeiro (+157 %), Fortaleza (+76 %) e Grêmio (+67 %).

Quanto a empréstimos financeiros, o RB Bragantino ocupa a vice-liderança, porém o contrato registrado é interno, celebrado com a matriz austríaca, sem juros nem data de vencimento, o que altera a percepção de risco em comparação a operações bancárias tradicionais.

Conclusão técnica

O cenário de 2025 confirma que o crescimento das receitas não neutralizou a expansão das dívidas, especialmente em clubes com histórico de baixa disciplina financeira ou em processo de investimentos agressivos em infraestrutura e elenco. A tendência é de manutenção da pressão sobre fluxo de caixa operacional, renegociação de passivos tributários e busca por capital externo, seja via SAFs ou emissão de instrumentos de dívida estruturada. A sustentabilidade esportiva e financeira dependerá, portanto, da capacidade de alinhar despesas contratuais ao ritmo de arrecadação, limitar endividamento de curto prazo e diversificar fontes de receita em ciclos sem premiações extraordinárias.