O recuo de 6,78 % nos contratos mais líquidos do Brent para US$ 93,42 o barril derrubou as ações da Petrobras (PETR3; PETR4) nesta segunda-feira, resultando em perda de R$ 16,5 bilhões em valor de mercado e levando a companhia ao menor patamar de capitalização dos últimos dois meses.
Impacto imediato nas ações ordinárias e preferenciais
Os papéis ordinários PETR3 encerraram o pregão em R$ 48,69, queda de 2,91 %, enquanto as ações preferenciais PETR4 recuaram 2,43 %, cotadas a R$ 43,40. O volume negociado somou 47,2 mil negócios e movimentou R$ 1,155 bilhão, colocando o ativo como o mais negociado da B3 no dia. A capitalização bursátil da estatal passou de R$ 615,2 bilhões para R$ 598,7 bilhões, nível não visto desde 11 de março.
Correlação entre petróleo e avanço diplomático EUA-Irã
O ajuste no preço do petróleo foi desencadeado por sinais de progresso nas negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã, perspectiva que eleva a probabilidade de retorno gradual do petróleo iraniano ao mercado internacional. A expectativa de aumento da oferta pressionou as cotações do Brent, interrompendo uma trajetória de alta sustentada desde o início do conflito regional em 28 de fevereiro. Durante esse período, a Petrobrás acumulou 12 recordes de valor de mercado, alcançando o pico histórico de R$ 680,1 bilhões em 14 de abril.
Visão do BTG Pactual e fundamentos de curto prazo
Em relatório distribuído aos clientes, os analistas Bruno Henriques, Gustavo Cunha e Rodrigo Almeida reiteraram a recomendação de compra para PETR4 e mantiveram o preço-alvo de R$ 62 até dezembro. Segundo o banco, a companhia tende a apresentar resultados sólidos no 2º trimestre de 2026, sustentados por:
- Preço médio do Brent em torno de US$ 104 entre abril e junho;
- Níveis elevados de produção, com plena captura do preço internacional;
- Impacto positivo do novo programa de subvenção ao diesel, recentemente adotado.
O BTG avalia que o subsídio – estimado entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro de gasolina e R$ 0,32 por litro de diesel – preserva a política de preços da estatal, reduzindo o risco de interferência governamental direta.

Contexto histórico da valorização e fatores de risco
Desde a escalada do conflito envolvendo o Irã, o petróleo subiu mais de 20 %, beneficiando exportadoras globais e impulsionando as ações da Petrobras. Contudo, os mesmos catalisadores que elevaram a commodity expõem o ativo à volatilidade geopolítica. Entre os principais riscos monitorados por analistas estão:
- Desdobramentos das conversas EUA-Irã e eventual liberação de barris no mercado;
- Definição das regras operacionais do subsídio aos combustíveis pelo Ministério da Fazenda;
- Oscilações cambiais, dada a correlação entre real e fluxo estrangeiro para a B3.
Apesar da correção de preço registrada no pregão, a ação mantém valorização acumulada no ano graças à combinação de dividend yield elevado, geração robusta de caixa e disciplina de capital.
Conclusão Técnica
A queda brusca do Brent após sinal diplomático entre Washington e Teerã reverteu parte dos ganhos recentes da Petrobras, mas não alterou a visão construtiva de casas como o BTG Pactual. Os fundamentos de curto prazo — preço médio da commodity acima de US$ 100, produção firme e compensação via subsídio — continuam a sustentar projeções positivas para as ações. O mercado acompanhará, nos próximos meses, a evolução do diálogo EUA-Irã e a publicação das regras finais do programa de combustíveis para calibrar cenários de preço-alvo e fluxo de dividendos.



