A Azul Linhas Aéreas concluiu a etapa decisiva de seu plano de reestruturação financeira ao obter autorização para negociar American Depositary Shares (ADSs) na Nyse American a partir de 1º de junho de 2026, substituindo a negociação anterior no mercado de balcão norte-americano (OTC Markets) sob o mesmo ticker AZUL.
Aprovação regulatória e cronograma de listagem
A companhia comunicou em fato relevante, divulgado em 26 de maio, que o regulador norte-americano aceitou o formulário de listagem exigido pela Nyse American, antiga American Stock Exchange. O processo contou com auditorias independentes, revisão de governança e apresentação de demonstrações financeiras compatíveis com os padrões contábeis dos Estados Unidos (US GAAP). Com a aprovação, os ADSs deixam o OTC Markets e passam a ser negociados em um ambiente com regras de divulgação mais rigorosas, o que tende a ampliar a visibilidade institucional da empresa no exterior.
Segundo a programação formal, a estreia ocorrerá na primeira sessão regular de segunda-feira, 1º de junho. Não haverá alteração no lote padrão de negociação dos recibos — cada ADS continuará representando três ações ordinárias emitidas no Brasil. A custódia permanecerá sob responsabilidade do Banco BNY Mellon, depositário dos certificados.
Reestruturação financeira: etapas cumpridas desde 2024
O plano de recuperação da Azul foi iniciado em março de 2024, quando a companhia enfrentava alavancagem superior a 7 vezes EBITDA, reflexo da combinação entre a valorização do dólar, combustíveis aeronáuticos mais caros e um ambiente de juros elevados. Entre as principais medidas adotadas, destacam-se:
- Conversão de dívidas em ações: acordos com credores institucionais resultaram na transformação de cerca de US$ 1,2 bilhão em participação acionária, reduzindo o serviço da dívida.
- Renegociação de leasing de aeronaves: contratos foram reprecificados, estendendo prazos e abatendo aproximadamente 20 % dos pagamentos mensais.
- Captações de capital: emissões de debêntures e uma oferta subsequente de ações levantaram R$ 3,4 bilhões para reforço de caixa.
Essas ações levaram a companhia a reduzir o endividamento líquido para 4,3 vezes EBITDA no fechamento de 2025, além de registrar margem operacional positiva nos últimos três trimestres. O chief executive officer, John Rodgerson, classificou a migração para a Nyse American como “um ponto de inflexão que valida o novo perfil de risco da transportadora”.
Impacto para acionistas e planos de migração para a Nyse
A negociação simultânea na B3 (código AZUL3) permanece inalterada; portanto, investidores locais não precisarão executar qualquer procedimento adicional. A companhia informou que o free float das ações brasileiras continuará acima de 60 %, limite mínimo exigido pelo Novo Mercado.

Do ponto de vista de liquidez internacional, a Nyse American representa um mercado secundário de acesso facilitado para empresas em fase de expansão ou pós-reestruturação. A Azul projeta que o volume médio diário dos ADSs possa atingir US$ 15 milhões nos seis primeiros meses, ante menos de US$ 4 milhões registrados no OTC Markets.
Paralelamente, a aérea submeteu um pedido de uplist para o segmento principal da New York Stock Exchange (Nyse). O cronograma indica conclusão até julho de 2026, condicionada ao cumprimento de capitalização de mercado mínima de US$ 800 milhões, à manutenção de preço médio por ADS acima de US$ 4,00 e à aderência ao manual de governança da bolsa.
Conclusão técnica
Com a aprovação da Nyse American, a Azul encerra a fase estrutural de seu programa de recuperação, reduzindo alavancagem, ampliando transparência contábil e recuperando a rota de crescimento internacional. A listagem dos ADSs em mercado regulamentado de maior visibilidade deve melhorar a formação de preço dos papéis, favorecendo futuras emissões de capital e aumentando a base de investidores estrangeiros. O próximo marco será o potencial uplist para a Nyse em julho, evento que, se confirmado, consolidará o reposicionamento da companhia entre os principais players listados do setor aéreo global.



