O programa E195-E2 da Embraer alcançou a marca histórica de 500 pedidos firmes em 14 de junho de 2026, quando foi confirmada a venda de 15 aeronaves para a empresa de leasing norte-americana Azorra, com opção para outras 15 unidades, reforçando a demanda global por jatos regionais de baixo consumo e alta eficiência operacional.
Novo contrato adiciona 15 aviões e amplia parceria estratégica
A transação firmada nesta sexta-feira inclui 15 E195-E2 adicionais que se juntarão à carteira de pedidos do 2º trimestre de 2026. A Azorra, que iniciou colaboração com a fabricante brasileira em 2021, eleva seu total de encomendas de 39 para 54 aeronaves, consolidando o terceiro incremento consecutivo de capital investido no modelo. De acordo com John Evans, CEO e fundador da arrendadora, o reforço da frota atende à “crescente demanda das companhias aéreas por aeronaves de tamanho certo”, preparadas para abrir novas rotas com menores custos.
Com o novo contrato, a Embraer contabiliza mais de 200 E2 em operação ativa, distribuídos entre 24 clientes em todos os continentes. O acordo também permite à Azorra exercer a compra futura de outras 15 unidades, potencializando a escala do programa caso o mercado mantenha a atual trajetória de expansão.
Programa E2: evolução de pedidos e entregas
Desde o voo inaugural do E195-E2 em 2017, a família E2 vem registrando crescimento constante de carteira. A seguir, os marcos principais:
- 2019 – Certificação tripla (ANAC, FAA e EASA) do E195-E2.
- 2020 – Primeira entrega comercial para a Azul Linhas Aéreas.
- 2021 – Ingresso da Azorra como cliente de lançamento no segmento de leasing.
- 2023 – Superação de 150 unidades em operação global.
- 2026 – Alcance de 500 pedidos firmes após o novo lote adquirido pela Azorra.
Segundo Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, a parceria com arrendadoras especializadas “é fundamental para acelerar a adoção da família E2 em múltiplas regiões”, pois facilita o acesso das companhias aéreas a financiamentos competitivos e contratos de leasing flexíveis.
Vantagens técnicas que impulsionam a procura
O E195-E2 é equipado com motores Pratt & Whitney GTF, projetados para reduzir até 25 % no consumo de combustível em comparação à geração anterior. O jato incorpora asas redesenhadas, sistemas eletrônicos de última geração e melhorias aerodinâmicas que resultam em:

- Menor emissão de CO₂, atendendo a metas ambientais mais rígidas impostas por reguladores e alianças de companhias aéreas.
- Níveis de ruído reduzidos, permitindo operações em aeroportos com restrições acústicas.
- Alcance de até 4 800 km, oferecendo cobertura para rotas de média distância com load factor otimizado.
- Configuração de cabine 2-2, eliminando o assento do meio e melhorando a experiência dos passageiros.
Esses diferenciais viabilizam custos por assento inferiores aos de aeronaves maiores do segmento de 100 a 150 lugares, fator decisivo para transportadoras de baixo custo e para operadores que atuam em mercados regionais em expansão.
Perspectivas de demanda e posicionamento competitivo
Analistas de mercado preveem que a substituição de frota impulsionará encomendas adicionais na próxima década, motivada por três vetores centrais:
- Renovação de aeronaves antigas com motores menos eficientes.
- Metas climáticas vinculadas a compromissos de neutralidade de carbono até 2050.
- Flexibilidade operacional para acessar aeroportos secundários em crescimento, sobretudo na Ásia-Pacífico e na América Latina.
Nesse cenário, o E195-E2 concorre principalmente com variantes do Airbus A220-300 e do Boeing 737 MAX 7, porém se diferencia pelo menor peso estrutural e pelos índices de eficiência em voos de curta e média duração.
Conclusão Técnica
A entrada do novo pedido da Azorra eleva o programa E195-E2 a 500 vendas firmes, solidificando a presença da Embraer no mercado de jatos regionais abaixo de 150 assentos. Com mais de 200 aeronaves já entregues, a família E2 mantém trajetória de expansão apoiada em eficiência de combustível, menores emissões e custos operacionais competitivos. A tendência de renovação de frota e a demanda por flexibilidade em rotas de média distância indicam que novas encomendas poderão ser anunciadas ao longo dos próximos trimestres, sustentando o ciclo de produção e o crescimento da base de clientes da fabricante brasileira.



