Ações da Compass (PASS3) passaram a contar com recomendações de compra de BTG Pactual, Itaú BBA e Citi, que veem potencial de valorização superior a 50% em relação às cotações atuais, pouco mais de um mês após o IPO que movimentou R$ 3,2 bilhões.
Cobertura inicial aponta metas de preço entre R$ 35 e R$ 38
Os três bancos que coordenaram a oferta pública inicial da Compass iniciaram a cobertura da ação quase simultaneamente. O BTG Pactual e o Citi fixaram preço-alvo em R$ 38, o que implica upside de aproximadamente 52%. Já o Itaú BBA estabeleceu preço-alvo em R$ 35, com potencial de alta perto de 40%.
Na visão das instituições, o movimento inicial de mercado ainda não absorveu plenamente a combinação de fluxo de caixa previsível proveniente de ativos regulados e avenidas de crescimento embutidas no portfólio. Esse diagnóstico confere à companhia um perfil considerado defensivo pelo histórico de receitas estáveis e, ao mesmo tempo, exposto a catalisadores de longo prazo.
O entusiasmo converge em torno da percepção de que o valuation atual precifica apenas o negócio tradicional de distribuição, deixando espaço para revisão em caso de execução bem-sucedida dos projetos de expansão.
Comgás garante estabilidade; Edge concentra opcionalidades de crescimento
O ponto de partida da tese é a Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do país e responsável pela maior fatia do resultado da Compass. Por operar em ambiente regulado, a subsidiária apresenta receitas indexadas e margens relativamente protegidas. De 2012 a 2025, o Ebitda avançou, em média, 9% ao ano, impulsionado pelo foco nos segmentos residencial e comercial.
Esse histórico reforça o argumento de previsibilidade. Analistas classificam o negócio como “gerador de juros compostos”, aludindo ao crescimento estável de receitas e retorno sobre capital regulatório. A solidez de caixa, segundo o Itaú BBA, viabiliza distribuição recorrente de dividendos sem comprometer a capacidade de investimento.
Enquanto a Comgás ancora a resiliência, a subsidiária Edge aparece como vetor de expansão. A operação reúne comercialização de gás natural, operação do terminal de regaseificação de Santos e soluções off-grid. Neste último nicho, a margem pode atingir R$ 0,80/m³, quatro vezes o observado no mercado convencional. O Citi calcula que o mercado atribui apenas 20% do valor justo desse braço, sinalizando possível assimetria relevante.
Com a abertura gradual do mercado de gás, a Edge tende a capturar oportunidades de integração vertical, contratos de longo prazo e eventuais aquisições de infraestrutura. Para os bancos, a combinação de base regulada com opcionalidade de expansão confere à Compass um dos perfis de risco-retorno mais atrativos do setor de utilidades listado na B3.
Projeção de dividendos robustos e pontos de atenção regulatórios
A alavancagem reportada pela companhia, próxima de 2,2 x dívida líquida sobre Ebitda, é considerada administrável para ativos de infraestrutura. Sob essa premissa, o Citi projeta dividend yield médio de 9% entre 2027 e 2028, assumindo payout de 75%. O BTG Pactual também trabalha com trajetória de remuneração crescente: 5,3% em 2026 e perto de 10% em 2027.
Apesar da leitura favorável, os analistas elencam como principal risco a disputa sobre a classificação regulatória do gasoduto Subida da Serra, em análise no Supremo Tribunal Federal. O Itaú BBA estima impacto potencial limitado a 3% da base de ativos da Comgás, mas o tema segue monitorado, pois pode influenciar retorno regulatório futuro e cronogramas de investimento.
Outros pontos de atenção envolvem execução da estratégia de crescimento da Edge, volatilidade de demanda industrial em períodos de menor atividade econômica e competitividade de fontes alternativas de energia.
Conclusão técnica
O consenso entre BTG Pactual, Itaú BBA e Citi sustenta a leitura de que a Compass alia estabilidade operacional, via Comgás, a potencial de valorização decorrente da Edge e da abertura do mercado de gás. Com metas de preço que sinalizam alta superior a 50% e projeções de dividend yield acima da média do setor, o ativo consolida-se como caso de interesse no pós-IPO. A materialização dessa tese depende da evolução regulatória do gasoduto Subida da Serra e da execução dos projetos de expansão, fatores que permanecerão no foco dos investidores nos próximos trimestres.



