Petrobras busca reduzir dependência do diesel importado de 29% para 15% antes de atingir autossuficiência

Magda Chambriard anunciou que a Petrobras projeta cortar a participação do diesel estrangeiro no abastecimento nacional de 29% para 15%, meta que antecede o plano de autossuficiência no combustível e envolve a expansão do parque de refino de 1,8 milhão de barris/dia.

Ampliação do parque de refino e nova meta de dependência

Durante aula magna na Universidade de Sorbonne, no Rio de Janeiro, a presidente da estatal ressaltou que já existem “projetos em carteira” para elevar a capacidade instalada. Hoje, o sistema integrado de refinarias processa cerca de 1,8 milhão de barris diários. A intenção é aumentar esse volume a ponto de reduzir gradualmente a necessidade de importação, estabelecendo o nível-alvo de 15% como etapa intermediária rumo à autossuficiência.

Embora não tenha sido divulgado um horizonte temporal preciso, executivos próximos ao tema indicam que os investimentos previstos no Plano Estratégico 2026-2030 — cuja divulgação oficial é esperada para o segundo semestre — contemplam a conclusão de obras de modernização na Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Pernambuco, e a ampliação de unidades em Paulínia (Replan) e Duque de Caxias (Reduc). Essas três plantas concentram parte significativa dos recursos voltados ao aumento do fator de utilização, atualmente em torno de 92%.

Subvenção econômica ao diesel e desembolsos recentes

O anúncio de Chambriard ocorreu um dia após a companhia confirmar o recebimento de R$ 752 milhões, referentes à primeira parcela do programa de subvenção econômica à comercialização de óleo diesel. O pagamento cobre o período de 12 a 31 de março de 2026 e foi efetuado nos termos da Medida Provisória nº 1.340.

Posteriormente, a MP nº 1.349, publicada em 7 de abril, revisou o benefício para R$ 0,80 por litro do diesel produzido no país e R$ 1,20 por litro do combustível importado, com divisão de custos entre governo federal, estados e Distrito Federal. Já no fim de maio, nova medida estabeleceu um subsídio de R$ 1,12 por litro para produtores e importadores autorizados. A estratégia busca atenuar a pressão de custos sobre distribuidores e, indiretamente, sobre os consumidores finais, em um cenário ainda marcado por volatilidade internacional de preços do petróleo.

Segundo dados do Ministério de Minas e Energia, o desembolso total previsto para 2026 pode superar R$ 10 bilhões, considerando a combinação dos diferentes valores de reembolso por litro e o volume médio mensal comercializado. Para a estatal, a subvenção reduz o gap de rentabilidade entre produto doméstico e importado, favorecendo a ocupação máxima das refinarias.

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Impactos econômicos, desafios logísticos e próximos passos

Reduzir a dependência externa de diesel de 29% para 15% representa, na prática, substituição de aproximadamente 120 mil barris/dia de importações, tomando como base o consumo atual projetado pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Em valores monetários, considerando a cotação média de US$ 100 por barril e taxa de câmbio de R$ 5,00, o país deixaria de gastar perto de R$ 11 bilhões anuais em importações, além de fortalecer a balança comercial de combustíveis.

Entre os desafios identificados pelos especialistas do setor estão: conclusão de obras de conversão profunda nas refinarias, aquisição de catalisadores de alto desempenho e adequações ambientais exigidas pelas normas de emissões. Há ainda a necessidade de otimizar a logística de escoamento por dutos e terminais, especialmente no eixo Norte–Nordeste, para evitar gargalos que poderiam limitar o aproveitamento da nova capacidade.

Enquanto a Petrobras acelera investimentos, agentes privados acompanham a movimentação. Projetos como a Refinaria de Mataripe, na Bahia, operada pela Acelen, e a futura Refinaria Porto do Pecém, no Ceará, tendem a disputar parcelas crescentes do mercado interno. O ritmo de entrada desses ativos também influenciará o volume de importações e o preço doméstico do diesel ao longo dos próximos anos.

Conclusão técnica

A sinalização de Magda Chambriard reforça a diretriz da Petrobras de priorizar investimentos no refino para cortar a dependência do diesel importado antes de alcançar autossuficiência plena. A meta de 15% de participação externa implica elevar a produção local em cerca de 120 mil barris/dia, demanda que será atendida por expansões em refinarias estratégicas já em fase de contratação de obras e equipamentos. Paralelamente, o programa de subvenção econômica ao diesel segue amortecendo oscilações de custos, oferecendo fôlego financeiro à estatal para manter o cronograma de investimentos. Nos próximos trimestres, o mercado acompanhará a divulgação do plano de negócios 2026-2030 e a efetivação das paradas técnicas nas unidades-chave, fatores essenciais para mensurar o prazo realista de cumprimento da nova meta.