CSN registra prejuízo de R$ 773 milhões no 2T26 e leva dívida líquida a R$ 42 bilhões, mesmo com avanço no Ebitda

Companhia Siderúrgica Nacional reportou prejuízo líquido de R$ 773 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 494,6% em relação ao mesmo período de 2025; a deterioração foi atribuída a maiores despesas financeiras e efeitos cambiais que ofuscaram a melhora operacional, enquanto a dívida líquida avançou para R$ 42,13 bilhões, reforçando a preocupação com a alavancagem da companhia.

Impacto das despesas financeiras amplia perdas

A CSN encerrou o trimestre com resultado líquido negativo expressivo devido, principalmente, ao custo de capital elevado e à variação cambial sobre passivos em moeda estrangeira. As despesas financeiras absorveram o ganho gerado pela operação industrial, revertendo a trajetória de recuperação observada nos trimestres anteriores. A administração também destacou que, na base anual, o comparativo é pressionado pela reversão extraordinária de contingências registrada em 2025, evento não recorrente que inflou o resultado daquele ano. Sem esse efeito, o prejuízo teria sido menos pronunciado, mas ainda relevante.

Analistas lembram que o ambiente de juros ainda elevados eleva o custo da dívida corporativa no Brasil, tornando o serviço do passivo um fator crítico em empresas já alavancadas. No caso da CSN, o impacto se agravou pela desvalorização do real frente ao dólar no período, adicionando encargos cambiais sobre instrumentos de dívida indexados à moeda norte-americana.

Performance operacional mostra resiliência

No campo operacional, a companhia registrou Ebitda ajustado de R$ 2,77 bilhões, crescimento de 4,9% ano a ano e cerca de R$ 100 milhões acima da estimativa do BTG, além de 10% superior às projeções do Itaú BBA. A receita líquida atingiu R$ 11,30 bilhões, incremento de 5,7% em igual comparação.

A melhoria foi puxada por três frentes: divisão de aço, beneficiada por reajustes de preço; segmento de energia, que contabilizou ganho não recorrente; e logística ferroviária, cuja demanda sustentada compensou o recuo na mineração. O balanço demonstra capacidade de geração de caixa em meio a cenário volátil, mas o efeito positivo perdeu força diante das obrigações financeiras.

Estrutura de capital continua no centro das atenções

Ao final de junho, a CSN apresentou dívida líquida de R$ 42,13 bilhões, alta frente aos R$ 40,50 bilhões de março de 2026 e bem acima dos R$ 35,65 bilhões observados um ano antes. A razão dívida líquida/Ebitda piorou para 3,49 vezes, ante 3,36 vezes no trimestre anterior, sinalizando avanço da alavancagem.

Itaú BBA e BTG Pactual apontam a desalavancagem como principal catalisador para o valor de mercado da empresa. A venda da CSN Cimentos, classificada como o passo mais relevante para reduzir o endividamento, segue em negociação, mas ainda sem conclusão definitiva. Enquanto o desinvestimento não se materializa, os bancos mantêm prudência em suas recomendações, citando “baixa visibilidade” sobre a trajetória do passivo.

CSN registra prejuízo de R$ 773 milhões no 2T26 e leva dívida líquida a R$ 42 bilhões, mesmo com avanço no Ebitda - Imagem do artigo original

Além da alienação de ativos, outras alternativas em estudo incluem alongamento de perfil de dívida, emissão de instrumentos híbridos e revisão de capex, medidas que podem moderar a pressão sobre o fluxo de caixa caso sejam implementadas dentro do semestre.

Resultados da CSN Mineração contrastam com matriz

A controlada CSN Mineração (CMIN3) apresentou lucro líquido de R$ 219,4 milhões, avanço de quase 90% na base anual, sustentado por recuperação de créditos tributários e menor impacto cambial no resultado financeiro. Por outro lado, o Ebitda ajustado recuou 20%, para R$ 1,02 bilhão, enquanto a receita líquida caiu 16%, atingindo R$ 2,87 bilhões.

O desempenho operacional da mineradora foi pressionado pelo aumento do custo de frete — influenciado pela alta dos combustíveis e por tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã —, além de parada programada de manutenção. Apesar disso, o Ebitda ficou acima do consenso da LSEG, indicando maior eficiência do que a projetada pelo mercado.

Conclusão técnica

A CSN mostrou capacidade de elevar a geração de caixa em meio a ambiente de preços mais favorável para aço e energia, mas o esforço foi neutralizado pela escalada das despesas financeiras e pela ampliação do endividamento. A trajetória da relação dívida líquida/Ebitda aponta para necessidade imediata de desalavancagem, cuja peça-chave deverá ser a venda de ativos não estratégicos, com destaque para a CSN Cimentos. Até que o passivo seja reduzido a patamar considerado saudável pelo mercado, a estrutura de capital continuará dominando a pauta entre investidores. Para o próximo trimestre, a atenção recairá sobre a evolução das negociações de desinvestimento, do perfil de dívida e da sustentabilidade do Ebitda operacional diante de possíveis oscilações cambiais e de custos logísticos.