Preço do ouro pode alcançar US$ 5.400 em 12 meses: UBS e Goldman Sachs avaliam riscos e gatilhos

Investidores globais voltam a olhar para o ouro após o metal registrar alta semanal de 5,5 % em meio à perda de fôlego dos juros norte-americanos, elevação do endividamento público e busca por proteção cambial. UBS e Goldman Sachs projetam novos patamares de preço para o ativo até 2026, indicando cenários que vão de US$ 4.900 a US$ 5.400 por onça-troy, enquanto a volatilidade ganha força com a dinâmica de opções de compra.

Escalada recente e fundamentos macroeconômicos

Após meses eclipsado pelos retornos dos Treasuries e pela valorização do dólar, o ouro retomou protagonismo ao acumular avanço mensal de 13 %, segundo o UBS. O movimento coincide com:

  • Aumento das expectativas de duration risk nos títulos de longo prazo dos Estados Unidos;
  • Preocupações sobre a sustentabilidade da dívida pública em economias desenvolvidas;
  • Elevação nos preços do petróleo, que pressiona projeções de inflação e juros.

Historicamente, períodos de incerteza sobre disciplina fiscal e potencial desvalorização de moedas elevam a demanda por metais preciosos. Dessa vez, esse impulso se soma à moderação nas apostas de novas altas da taxa básica norte-americana, o que reduz o custo de oportunidade de manter ativos não remunerados como o ouro.

Projeção do UBS: alta até US$ 5.400

O UBS estima que o preço do metal atinja US$ 5.400 por onça-troy nos próximos 12 meses. A casa suíça sustenta a previsão em três pilares:

  1. Endividamento crescente: governos devem ampliar emissões para financiar déficits, intensificando temores de desvalorização cambial;
  2. Busca por diversificação: investidores institucionais procuram reduzir exposição simultânea a dólar e a riscos de prazo em renda fixa;
  3. Demanda dos bancos centrais: compras líquidas continuam em ritmo elevado, reforçando o suporte estrutural ao preço do metal.

Mesmo que juros elevados possam persistir no curto prazo, o UBS argumenta que o estoque crescente de dívida e a incerteza sobre seu financiamento tendem a sustentar o impulso de longo prazo do ouro.

Visão do Goldman Sachs: volatilidade ampliada pelas opções

Embora reconheça potencial de valorização, o Goldman Sachs enfatiza que a estrutura de mercado pode amplificar movimentos em ambas as direções. O banco calcula preço-alvo de US$ 4.900 por onça até o fim de 2026, mas aponta “risco significativo de alta” se dois fatores se confirmarem:

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  • Persistência da demanda por calls: conforme o valor do ouro se aproxima de níveis relevantes de strike, dealers precisam comprar metal para proteger posições vendidas, acelerando a alta;
  • Reentrada de fluxos em ETFs: a retomada da alocação de investidores privados nesses fundos adicionaria pressão compradora.

O banco lembra que, caso o preço recue, a dinâmica se inverte: liquidação de hedges pode gerar vendas adicionais, reforçando quedas. Nesse contexto, a projeção de manutenção dos juros dos EUA entre 3,50 % e 3,75 % até dezembro de 2026 reduz parte da pressão negativa, mas não elimina a expectativa de oscilação acentuada.

Impacto dos juros e dos bancos centrais na trajetória do metal

A convergência de decisões de política monetária e compras oficiais cria um ambiente singular para o ouro:

Fator Direção sobre o preço
Manutenção dos juros pelo Federal Reserve Suporte
Entrada de capitais em ETFs Alta
Liquidação de posições em opções Volatilidade
Aumento do petróleo e inflação global Alta

Somado a isso, a continuidade das aquisições de ouro por bancos centrais emergentes serve como contrapeso a eventuais saídas de investidores financeiros, sustentando a demanda física.

Conclusão técnica

Com base nas projeções de UBS e Goldman Sachs, o ouro entra no segundo semestre de 2026 ancorado entre dois eixos: a possibilidade de romper US$ 5.400 se o apetite por proteção se mantiver e a chance de recuos temporários provocados por ajustes em derivativos. A leitura predominante sugere que dívidas elevadas, juros estacionários e incertezas de política econômica continuarão a favorecer o metal, ainda que a volatilidade se intensifique. Para os próximos trimestres, a trajetória dependerá do ritmo de compras de bancos centrais, do fluxo para ETFs e da evolução das apostas em opções, variáveis que tendem a definir se o cenário otimista se materializará dentro das bandas de preço estimadas.