Pesquisa Datafolha mantém Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno

Levantamento Datafolha divulgado em 17 de setembro de 2026 indica Luiz Inácio Lula da Silva com 46% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro com 44% em um eventual segundo turno, cenário que configura empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Panorama do segundo turno

Os índices revelam estabilidade em relação à sondagem publicada em 11 de setembro, quando os mesmos percentuais foram registrados. Votos em branco, nulos ou em nenhum dos candidatos permanecem em 8%, enquanto os indecisos continuam em 1%. A vantagem de dois pontos mantém a disputa competitiva e reforça a polarização entre os dois principais postulantes.

No recorte histórico da série Datafolha, o intervalo de diferença entre Lula e Flávio oscilou de três a cinco pontos desde agosto, confirmando a tendência de equilíbrio na segunda etapa da eleição presidencial de 2026.

Desempenho no primeiro turno

Na simulação de primeiro turno, o instituto aponta Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 36%, diferença de três pontos que também se enquadra no empate técnico. O percentil de brancos e nulos mantém-se em 6%, e o contingente de indecisos recua de 4% para 3%.

O terceiro colocado permanece o escritor Augusto Cury, com 6%. Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (4%), Renan Santos (3%) e Romeu Zema (2%). Outros candidatos somam de 1% a 0%, evidenciando um cenário concentrado nos dois líderes.

Cenários alternativos testados

O Datafolha avaliou quatro confrontos adicionais de segundo turno:

  • Lula 44% x Augusto Cury 44% – empate numérico, com o petista oscilando um ponto para baixo e Cury avançando um ponto.
  • Lula 46% x Ronaldo Caiado 42% – diferença de quatro pontos, um a menos que na pesquisa anterior.
  • Lula 49% x Romeu Zema 39% – vantagem de dez pontos, ampliada em relação ao levantamento de 11 de setembro.
  • Lula 47% x Renan Santos 38% – distância de nove pontos, dois a menos do que na sondagem anterior.

Nesses cenários, a taxa de brancos e nulos varia entre 10% e 13%, enquanto o grupo de indecisos oscila de 1% a 2%.

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Metodologia da pesquisa

O instituto entrevistou 2.002 eleitores com 16 anos ou mais nos dias 15 e 16 de setembro de 2026. A margem de erro é de ±2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. Trata-se de pesquisa estimulada, na qual os nomes dos candidatos são apresentados aos participantes.

A divulgação ocorreu dois dias após a sessão do Supremo Tribunal Federal que analisou processo envolvendo o ministro Alexandre de Moraes, evento apontado por analistas como potencial fator de volatilidade no humor do eleitorado. Apesar disso, o levantamento não registrou alterações estatisticamente significativas nos índices principais.

Contexto político recente

A campanha de 2026 atravessa fase de forte judicialização, com casos associados ao STF gerando repercussão diária. Paralelamente, propostas econômicas do governo e críticas da oposição sobre controle de gastos, reforma tributária e condução de investimentos compõem o debate central. O senador Flávio Bolsonaro intensificou agendas regionais no Centro-Oeste e no Sudeste, enquanto Lula manteve compromissos institucionais no Planalto e viagens para inaugurações de obras federais.

No campo partidário, o PL trabalha para reduzir a rejeição do candidato ao público feminino, enquanto o PT busca consolidar alianças com siglas de centro-esquerda para ampliar o tempo de televisão. Analistas de mercado monitoram também a performance de terceiros colocados, sobretudo Augusto Cury, cujo discurso voltado à saúde mental tem ganhado espaço entre eleitores mais jovens.

Conclusão técnica

Os números atualizados do Datafolha confirmam a tendência de empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro tanto no primeiro quanto no segundo turno, sinalizando campanha de alto grau competitivo até o dia da votação. A estabilidade após eventos judiciais de grande exposição indica resiliência dos eleitorados de ambos os candidatos. Nas próximas semanas, a evolução dos índices dependerá principalmente da capacidade de cada campanha em captar eleitores que atualmente declaram intenção de voto em branco, nulo ou permanecem indecisos, além do desempenho nos debates previstos pelo Tribunal Superior Eleitoral.