O Citi manteve recomendação de compra para BTG Pactual (BPAC11) e revisou o preço-alvo de R$ 70 para R$ 72, o que representa potencial de valorização de 17 % sobre o último fechamento, ao considerar que o banco de investimento opera em um modelo estruturalmente distinto dos grandes bancos tradicionais.
Racional da revisão: diversificação e rentabilidade acima da média
Em relatório distribuído a clientes, o Citi argumenta que o BTG Pactual passou a ser avaliado de forma inadequada quando comparado diretamente a Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil. Para sustentar a elevação do preço-alvo, os analistas ressaltam três vetores-chave:
1) Crescimento consistente — Desde 2020, o banco expandiu receitas recorrentes ligadas a tarifas e taxas sobre ativos de clientes, consolidando um ritmo de alta que supera concorrentes de varejo.
2) Rentabilidade robusta — O retorno sobre patrimônio líquido médio (ROAE) atingiu 26,7 % no 2T26, patamar considerado premium para o setor.
3) Modelo de negócios plural — A instituição combina gestão de ativos, assessoria financeira, trading, mercado de capitais, wealth management, crédito corporativo e, mais recentemente, crédito ao consumidor.
De acordo com o banco norte-americano, a variedade de fontes de receita diminui a dependência do ciclo econômico, conferindo resiliência às métricas de lucro mesmo em cenários de maior volatilidade ou juros elevados.
Valuation: prêmio atual é menor que a média histórica
O múltiplo de preço sobre lucro projetado (P/L) do BTG Pactual opera cerca de 20 % acima do Itaú, segundo estimativas do Citi. Historicamente, porém, esse diferencial variou entre 30 % e 45 %. A contração recente do prêmio, somada ao ritmo superior de expansão de lucros, levou os analistas a enxergar um ponto de entrada mais atrativo para investidores.
O relatório enfatiza que aplicar ao BTG as mesmas métricas de precificação utilizadas para bancões pode deixar de capturar o valor agregado por linhas de receita menos correlacionadas ao crédito tradicional. A avaliação considera, portanto, múltiplos ajustados a um banco de investimentos com plataforma de serviços financeiros ampla.
Indicadores operacionais reforçam tese de crescimento
No segundo trimestre de 2026, o BTG Pactual reportou lucro líquido ajustado de R$ 5,1 bilhões, impulsionado por maior participação de receitas de tarifas e pela ampliação do portfólio de produtos. As áreas de trading e mercado de capitais, por exemplo, se beneficiaram de maior volatilidade, enquanto o crédito corporativo ganhou margem com spreads mais elevados.

O banco também aprofundou a estratégia de venda cruzada, integrando ofertas de asset management e wealth, o que eleva a receita per capita dos clientes. Essas iniciativas diminuem a sensibilidade aos ciclos de crédito e reforçam a capacidade de monetizar a base existente.
Comparativo com bancões tradicionais
Ao confrontar indicadores, o BTG Pactual exibe ROAE de quase 27 %, enquanto a média de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil oscila entre 18 % e 21 %. A taxa de crescimento composta de receitas nos últimos três anos supera 20 %, contra um dígito médio para os pares. Mesmo assim, o prêmio de valuation reduziu-se na mesma janela.
Para o Citi, a assimetria sugere que o mercado ainda referencia o BTG a métricas de bancos comerciais, desconsiderando diversificação e alta lucratividade. Caso o prêmio retorne ao intervalo histórico, a ação poderia apresentar performance superior à dos bancões.
Conclusão Técnica
Com base nos dados atuais, o Citi projeta que BTG Pactual mantenha expansão de lucros sustentada por múltiplas linhas de negócios e pelo fortalecimento do relacionamento com clientes de alta renda e corporativos. O preço-alvo de R$ 72 reflete a expectativa de recomposição do prêmio de valuation para patamares mais próximos da média histórica, amparada por rentabilidade superior e diversificação operacional. A recomendação de compra permanece, e o banco de investimento segue posicionado para se descolar do desempenho dos grandes bancos tradicionais à medida que o mercado ajuste seus critérios de avaliação.



