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BofA destaca Itaú como preferido na B3, mantém Bradesco no radar e adota cautela com Banco do Brasil

    Itaú Unibanco foi apontado pelo Bank of America como a ação bancária de maior robustez na B3 para os próximos 12 meses, enquanto Bradesco mantém potencial de recuperação e Banco do Brasil enfrenta recomendação de cautela em meio a pressões sobre a qualidade dos ativos.

    Critérios que levaram o Itaú à liderança

    A análise do Bank of America considerou três pilares para eleger o Itaú Unibanco (ITUB4) como favorito: elevada rentabilidade, estrutura de capital sólida e histórico de execução operacional consistente. Segundo o relatório, essas características conferem ao banco maior resiliência num ambiente de desaceleração econômica, inadimplência elevada e incertezas sobre a trajetória da taxa de juros. Entre os grandes bancos latino-americanos acompanhados, o Itaú apresenta retorno sobre patrimônio líquido (ROE) acima do custo de capital, cenário que sustenta a confiança dos analistas.

    Além da eficiência operacional, o BofA destacou a capacidade do Itaú de manter crescimento de lucro próximo de 10% ao ano, mesmo sob uma conjuntura de PIB mais fraco antes das eleições presidenciais de 2027. A combinação de múltiplos relativamente descontados e distribuição de dividendos robusta reforça a atratividade do papel.

    Bradesco recebe voto de confiança, mas depende de recuperação operacional

    O Bradesco (BBDC4) também figura entre as escolhas do banco norte-americano, ainda que por motivos distintos. A instituição vê uma relação risco versus retorno considerada favorável, apoiada no potencial de retomada da rentabilidade após sucessivos trimestres de provisionamentos elevados. O banco norte-americano observa que, caso a inadimplência comece a ceder e os spreads voltem a níveis históricos, a ação tende a se beneficiar de reavaliação positiva.

    Nos cálculos do BofA, o Bradesco negocia com desconto relevante no múltiplo preço/lucro (P/L) em comparação a pares regionais, oferecendo oportunidade de valorização caso a recuperação operacional se confirme. O relatório acrescenta que a gestão do Bradesco conta com margem de manobra para ajustes de custo e estratégia digital, fatores considerados essenciais para melhorar o índice de eficiência.

    Banco do Brasil fica de fora por riscos em qualidade de ativos

    Para o Banco do Brasil (BBAS3), o BofA adotou postura conservadora. O ponto central de preocupação reside na carteira de crédito agrícola, ainda impactada por quedas de preço das commodities, atraso em colheitas e eventos climáticos extremos. Esses fatores pressionam a qualidade dos ativos e elevam a necessidade de provisões adicionais, reduzindo a previsibilidade de lucros.

    Os analistas ressaltaram também a visibilidade limitada sobre os efeitos das recentes medidas federais de reestruturação de dívidas rurais. Enquanto não houver sinal claro de estabilização dos indicadores de inadimplência, o relatório recomenda posicionamento neutro, afastando o papel do grupo principal de preferências do banco norte-americano.

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    Comparação regional e métricas de mercado

    Ao estender a análise para a América Latina, o BofA identificou que bancos brasileiros e mexicanos apresentam maior desconto em preço/lucro, enquanto as instituições chilenas exibem avaliações mais exigentes no múltiplo preço/valor patrimonial (P/VP). O estudo aponta dividend yield médio de 7% no Brasil, superior aos 6% projetados para o México e acima da maioria dos mercados vizinhos.

    O relatório menciona ainda que o Peru oferece a oportunidade estrutural de crescimento bancário mais forte, ao passo que Chile e Colômbia requerem seleção criteriosa de ativos. No México, a combinação de rentabilidade elevada, capital robusto e expansão de carteira impulsiona o otimismo, embora a revisão do acordo comercial USMCA continue sendo fonte de risco macroeconômico.

    Para o conjunto dos bancos latino-americanos, o retorno sobre o patrimônio líquido permanece acima do custo de capital próprio, mas o BofA alerta que a moderação do ciclo de crescimento, combinada a ambiente político volátil, exige postura seletiva.

    Conclusão técnica

    A estratégia do Bank of America privilegia instituições com balanços robustos e forte geração de capital para atravessar um período de crescimento econômico mais lento. Itaú desponta como principal beneficiário desse critério, seguido pelo Bradesco, cuja tese depende da confirmação de melhora operacional. Já o Banco do Brasil permanece sob análise cautelosa devido à exposição a segmentos de maior risco de inadimplência. No plano regional, a seletividade tende a continuar guiando as recomendações, com atenção especial a dividendos, descontos de valuation e eventos políticos que possam alterar a percepção de risco nos principais mercados latino-americanos.