O JP Morgan reduziu a recomendação para as ações da Frasle (FRAS3) de neutra para venda nesta quinta-feira, citando limitações de retorno e pressões macroeconômicas, ao mesmo tempo em que manteve posição compradora em Tupy (TUPY3), Iochpe-Maxion (MYPK3) e Marcopolo (POMO4), papéis que podem avançar até 69% até dezembro de 2027.
Principais fatores para o rebaixamento da Frasle
De acordo com o relatório distribuído aos clientes, o banco apresenta três argumentos centrais para a mudança de visão sobre a fabricante de componentes de freio:
1. Potencial de valorização limitado – o preço-alvo foi ajustado para R$ 28, o que implica alta de apenas 19% em relação ao fechamento de 24 de setembro. Na mesma janela de projeção, existem alternativas no setor com upside significativamente superior.
2. Revisão de resultados – a equipe cortou em 9% a estimativa de lucro por ação para 2027 e em 3% para 2028, reflexo de receitas menores (redução de 5% em ambos os anos) e margens mais estreitas no curto prazo.
3. Menor probabilidade de M&A – o banco vê “potencial restrito para surpresas positivas” em aquisições, dado o nível de alavancagem da controladora Randoncorp (RAPT4).
Fundada em 1954, a Frasle possui presença industrial em Brasil, Estados Unidos, Índia e China, além de centros de distribuição na Argentina, Colômbia e Europa. Contudo, a exposição maior ao mercado brasileiro de caminhões e ônibus, segmento que segue pressionado por juros elevados e menor demanda, pesou decisivamente na avaliação.
Apostas prioritárias do JP Morgan: Tupy e Iochpe-Maxion
Entre as companhias com recomendação de compra, duas concentram o entusiasmo dos analistas.
Tupy (TUPY3) – com preço-alvo de R$ 23, o banco estima potencial de valorização de 38% nos próximos 15 meses. A justificativa inclui:
- Forte geração de caixa e avanços em governança corporativa;
- Exposição de cerca de 60% da receita a mercados internacionais, fator considerado estratégico caso o real se mantenha depreciado;
- Benefícios diretos da recuperação do mercado norte-americano de caminhões, segmento observado como termômetro do ciclo de bens de capital na região.
Iochpe-Maxion (MYPK3) – o preço-alvo foi reiterado em R$ 13, o que implica upside de 40%. Entre os atributos listados, destacam-se:

- Recuperação operacional após ajustes de eficiência e corte de custos;
- Presença global robusta, com dois terços da receita fora do Brasil;
- Sinergia com o ciclo positivo de veículos pesados nos Estados Unidos e na Europa.
Marcopolo oferece o maior upside, mas não é a top pick
A terceira aposta é a Marcopolo (POMO4), cujo preço-alvo de R$ 7 sugere valorização potencial de 69%. O banco reconhece que a empresa de carrocerias apresenta a projeção mais elevada da cobertura; entretanto, opta por mantê-la fora do grupo de favoritas devido a:
• Volatilidade histórica dos resultados, intensificada por ciclos de demanda doméstica;
• Exposição mais concentrada no Brasil, o que a torna sensível às mesmas variáveis macro que afetam a Frasle;
• Necessidade de execução consistente em novos contratos de exportação para que o cenário de alta se confirme.
Cenário macroeconômico pesa sobre o setor de autopeças no Brasil
O movimento do JP Morgan ocorre num contexto de taxa Selic elevada, desaceleração do crédito e moderação na produção industrial local. Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), as montadoras reduziram em 7% a produção de caminhões nos oito primeiros meses de 2026 em comparação com igual período do ano anterior.
Para empresas com maior dependência do mercado interno, o impacto se reflete em estoques maiores, margens pressionadas e adiamento de investimentos. Por outro lado, companhias com receita dolarizada ou fábrica próxima a clientes globais mitigam parte desse risco ao capturar a recuperação na América do Norte e na Ásia.
O relatório ressalta, ainda, que um eventual ciclo de cortes de juros no Brasil poderia favorecer o setor a partir de 2027, mas, até que sinais concretos apareçam, a recomendação permanece seletiva.
Conclusão técnica
Ao rebaixar a Frasle e reforçar preferências em Tupy, Iochpe-Maxion e Marcopolo, o JP Morgan sinaliza uma estratégia baseada em diversificação geográfica, capacidade de repasse de preços e potencial de crescimento de receita em moeda forte. O banco projeta que, no curto prazo, empresas orientadas ao mercado doméstico continuarão pressionadas por juros altos e demanda fraca. Para investidores institucionais, a orientação é priorizar nomes com forte exposição externa e benefícios claros da retomada do ciclo de veículos pesados nos Estados Unidos. Alterações relevantes no cenário de taxas ou surpresas em fusões e aquisições poderão levar a nova revisão das recomendações, mas, por ora, a carteira recomendada permanece inalterada.



