Micron avança 476% em 2026 e continua descontada a 6,6 vezes lucro, indicam Empiricus e XP

Fabricante norte-americana de semicondutores reporta receita recorde de US$ 54,23 bilhões, eleva projeções para 2027 e, apesar da alta acumulada de 476,42% no ano, segue precificada abaixo da média do setor

Resultados trimestrais reforçam a trajetória de expansão

A Micron Technology, representada no mercado brasileiro pelo BDR MUTC34, divulgou após o fechamento do pregão de 30 de setembro o desempenho do quarto trimestre fiscal de 2026. A companhia alcançou seis recordes consecutivos de receita trimestral, encerrando o período com US$ 54,23 bilhões, crescimento de 379% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior e superior aos US$ 51,07 bilhões estimados por analistas.

O lucro ajustado somou US$ 33,42 por ação, também acima do consenso, fixado em US$ 31,61. A companhia aprovou dividendo de US$ 0,15 por ação, com pagamento programado para 29 de outubro.

Na composição do faturamento, os chips DRAM representaram 73% da receita (US$ 39,8 bilhões), enquanto os NAND responderam por 26% (US$ 14,1 bilhões). Entre os mercados atendidos, destacaram-se data centers corporativos (US$ 18 bilhões) e provedores de nuvem (US$ 16,28 bilhões), seguido por celulares e PCs (US$ 13,11 bilhões) e aplicações automotivas e industriais (US$ 6,82 bilhões).

Avaliação de preço e potencial de valorização segundo casas de análise

Mesmo com a valorização de 476,42% no acumulado de 2026, a ação segue, de acordo com a Empiricus, negociada a múltiplo de 6,6 vezes o lucro projetado para os próximos 12 meses. O patamar é considerado inferior ao de pares globais do setor de semicondutores, especialmente entre empresas expostas ao ciclo de investimentos em inteligência artificial.

A XP Investimentos mantém o ativo em carteira recomendada, mas observa que o ciclo de expansão demanda cautela. Segundo a corretora, a necessidade de ampliação fabril implica aumento relevante de capex, estimado em US$ 25 bilhões apenas no primeiro semestre de 2027, com tendência de superar esse valor na segunda metade do ano. A gestora projeta que a margem bruta, atualmente em 86,25%, pode sofrer compressão temporária antes de retornar à trajetória ascendente.

Ambas as casas reiteram, contudo, que contratos estratégicos de longo prazo — já cobrindo 35% da receita estimada até 2030 — oferecem visibilidade elevada de fluxo de caixa e reduzem riscos de oscilação de demanda.

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Guidance indica continuidade do ciclo favorável em 2027

Para o 1T27, a Micron projeta faturamento de US$ 61,5 bilhões, avanço de 13% sobre o recorde recém-atingido. A empresa antevê margem bruta de 86,25% e lucro ajustado de US$ 38,15 por ação. Caso confirmadas, as métricas colocarão a fabricante em ritmo de expansão superior ao mercado global de memória, impulsionado pelas demandas de processamento de IA em servidores, dispositivos móveis e sistemas embarcados.

Do ponto de vista operacional, a companhia intensifica a transição para nós de litografia avançada, concentrando investimentos em plantas nos Estados Unidos e em Taiwan. A estratégia inclui medidas de eficiência energética e adoção de materiais de baixas emissões, alinhadas a acordos setoriais de sustentabilidade.

Conclusão Técnica

Os resultados robustos do quarto trimestre fiscal e as projeções otimistas para 2027 consolidam a Micron Technology como um dos principais vetores de crescimento dentro da cadeia de semicondutores voltados à inteligência artificial. A combinação de múltiplo forward reduzido (6,6 vezes lucro), contratos de fornecimento de longo prazo e pipeline de investimentos posiciona a companhia para capturar o aumento estrutural de demanda em data centers, nuvem e aplicações móveis. Apesar da pressão temporária nas margens decorrente do ciclo de expansão, a expectativa de normalização após 2027 sustenta a manutenção da tese de valorização apontada por Empiricus e XP.

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