Compartilhar bastidores e aprendizados do negócio nas redes sociais transformou a empreendedora Letícia Vaz em referência para duas audiências distintas e ampliou as vendas da LV Store; o movimento ocorre enquanto 73 % dos pequenos negócios brasileiros já utilizam perfis corporativos, segundo o Sebrae, e o Instagram atinge 147 milhões de usuários no país.
Redes sociais ganham status de canal comercial para pequenos negócios
Levantamento do Sebrae indica que cerca de 73 % das micro e pequenas empresas operam ao menos um perfil em plataformas como Instagram e TikTok. A presença digital deixou de ser complementar: ela acumula funções de descoberta, relacionamento e venda. Dados do relatório Digital 2026, do DataReportal, mostram que o Brasil encerrou 2025 com 147 milhões de contas no Instagram — o equivalente a 69 % da população. No mesmo período, o TikTok registrou 131 milhões de usuários adultos no país. Essa massa crítica consolida as redes como vitrine principal para PMEs que buscam escala rápida e baixo custo de aquisição de clientes.
LV Store: quando o bastidor vira conteúdo e comunidade
A trajetória de Letícia Vaz começou em 2015, aos 17 anos, com objetivo inicial de financiar a graduação. A virada ocorreu ao exibir decisões de gestão, erros e processos internos em sua conta pessoal. Hoje, o perfil da fundadora soma quase 700 mil seguidores, enquanto a marca de moda feminina contabiliza mais de 540 mil. Um terceiro espaço, dedicado às “clientes mais fiéis”, reúne cerca de 8 mil membros. A empreendedora relata que a audiência migrou do produto para a jornada: “As pessoas queriam acompanhar o como”. O resultado prático foi incremento no engajamento e conversão sem depender exclusivamente de anúncios pagos.
O case demonstra três pontos-chave para PMEs: 1) levantar dúvidas reais dos clientes como pauta; 2) documentar a rotina em vez de produzir peças publicitárias isoladas; 3) aceitar a transparência de falhas como ativo de confiança. Ao alternar publicações comerciais e educativas, a LV Store evitou ser percebida como catálogo e reforçou vínculo emocional com seguidores.
Estratégias transferíveis: da separação de perfis à mitigação de dependência
A experiência de Letícia Vaz evidencia a vantagem de manter propostas distintas para a conta corporativa e para o perfil pessoal. Enquanto a empresa concentra produtos, lançamentos e atendimento, a presença individual aborda empreendedorismo, marketing e gestão. Assim, cada público recebe conteúdos alinhados às próprias expectativas. A segmentação reduz risco de confusão de mensagens e permite métricas específicas de atenção, confiança e conversão.
Outro aprendizado envolve a prevenção de dependência excessiva da figura do fundador. A LV Store passou a documentar processos e a treinar equipe para produzir conteúdo quando a líder não está disponível. Para outras PMEs, isso implica formalizar fluxos, delegar decisões e consolidar cultura organizacional que sobreviva à ausência do rosto principal.

Recapitulando boas práticas aplicáveis:
- Inventário de conhecimento – listar problemas que o produto resolve e perguntas frequentes de clientes.
- Conteúdo de bastidor – mostrar desenvolvimento de produtos, atendimentos e ajustes de rota.
- Erro como lição – transformar falhas em aprendizado compartilhável, evitando exposição desnecessária.
- Ritmo editorial – alternar oferta direta com material educativo para manter relevância.
- Indicadores de negócio – acompanhar mensagens, leads e vendas originados de cada formato.
Conclusão técnica
O caso da LV Store confirma a tendência de que a humanização estratégica, respaldada por dados de audiência, fortalece a eficiência comercial de micro e pequenas empresas. Com quase 700 mil seguidores na conta pessoal da fundadora e adesão superior a 73 % das PMEs brasileiras às redes sociais, o cenário aponta para consolidação do fundador como ativo de comunicação — desde que apoiado por processos, equipe e segmentação de canais. A expectativa para os próximos ciclos é de ampliação do uso de métricas de engajamento cruzadas com indicadores financeiros, a fim de calibrar investimentos em conteúdo e reduzir vulnerabilidade a mudanças nos algoritmos das plataformas.



