Taurus salta 121% antes das eleições: alívio tarifário nos EUA e agenda de armas elevam expectativa de caixa

A ação ordinária da Taurus Armas S.A. (TASA4) avançou 121% entre junho e 21 de setembro de 2026, superando nomes de peso como Petróleo Brasileiro S.A. – Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil (BBAS3). O movimento decorre da combinação entre o crescimento de Flávio Bolsonaro (PL) nas pesquisas presidenciais e a possibilidade de revisão das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao aço brasileiro, principal entrave operacional da companhia.

Escalada das cotações e gatilho eleitoral

Dados do Google Finance indicam que, da mínima registrada em 12 de junho até a máxima de 21 de setembro, TASA4 acumulou ganho de 121%. No mesmo intervalo, PETR4 avançou cerca de 18% e BBAS3 oscilou perto da estabilidade. A disparada teve início após a divulgação de pesquisas eleitorais que colocaram Flávio Bolsonaro em posição competitiva para o Palácio do Planalto. Analistas de mercado enxergam correlação direta entre a pauta pró-armas atribuída ao parlamentar e a perspectiva de expansão do mercado interno para a fabricante gaúcha.

No pleito anterior, em 2018, alta semelhante foi observada antes da vitória de Jair Bolsonaro. Contudo, parte dos ganhos foi devolvida após questionamentos judiciais à flexibilização do Estatuto do Desarmamento. A lição histórica, segundo gestores, reforça o caráter especulativo do chamado “trade eleitoral”.

Tarifas norte-americanas pressionam margens

Paralelamente ao noticiário político, a maior preocupação operacional da Taurus reside nas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. No auge, em 2025, a taxação atingiu 50%. Após negociação bilateral, a alíquota caiu para 37,5%, patamar ainda considerado elevado pelo mercado. Salesio Nuhs, diretor-presidente da companhia, alertou que a manutenção do tributo nessa faixa “poderia inviabilizar” parte das operações na planta de São Leopoldo (RS), responsável por exportar a maior parcela da produção para o maior consumidor mundial de armas.

De acordo com projeções de Marcos Saravalle, CIO da Krivo Capital, a extinção das tarifas adicionaria entre R$ 100 milhões e R$ 200 milhões ao Ebitda anual da fabricante. Para comparação, o 2T26 foi encerrado com Ebitda de R$ 124 milhões. A repercussão dessa hipótese justificou grande parte da reprecificação recente do papel.

Em valor de mercado, a empresa perdeu aproximadamente 60% nos últimos cinco anos, reflexo não apenas das barreiras comerciais, mas também de desafios internos como alta alavancagem e volatilidade cambial. Assim, qualquer mudança no front externo tende a ter impacto desproporcional sobre o preço das ações.

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Mercado interno rentável, mas limitado

Apesar de representar menos de 40% da receita, o mercado brasileiro exibe margens superiores às do exterior por menor incidência de tarifas logísticas e cambiais. Ainda assim, a participação interna permanece restrita pelo arcabouço regulatório atual. O deputado Marcos Pollon apresentou projeto para substituir o Estatuto do Desarmamento, iniciativa que, se aprovada, reduziria barreiras à compra de armas por civis e, consequentemente, ampliaria a clientela potencial da Taurus.

Consultores políticos ressaltam, porém, que a tramitação da proposta depende de maioria legislativa qualificada, além de eventuais questionamentos no Supremo Tribunal Federal. O cenário base de casas de análise considera implementação parcial somente a partir de 2028, ainda que a simples expectativa de avanço regulatório já influencie o fluxo comprador na B3.

Perspectivas e riscos mapeados

No curto prazo, a ação deve continuar sensível a pesquisas eleitorais e a comunicados oficiais da administração norte-americana sobre comércio exterior. Empresas de defesa e caça-níqueis políticas costumam exibir volatilidade superior à média do Ibovespa, característica observada no histórico recente de TASA4.

Os próximos catalisadores identificados incluem: (1) sinalizações do Departamento de Comércio dos Estados Unidos sobre revisão tarifária; (2) divulgação do resultado do 3T26, que trará atualização das exportações para o mercado norte-americano; e (3) debates presidenciais que possam consolidar ou reverter a liderança de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

Conclusão Técnica: O rali de 121% em TASA4 está ancorado na expectativa de alívio tarifário e numa possível guinada pró-armas em caso de vitória de Flávio Bolsonaro. Embora a retirada das taxas possa agregar até R$ 200 milhões ao Ebitda anual, a efetivação depende de negociação bilateral com Washington. Internamente, qualquer flexibilização legislativa demandará aprovação no Congresso e validação judicial. Diante desse quadro, a trajetória da ação seguirá condicionada à agenda política e ao ambiente macroeconômico, permanecendo sujeita a oscilações expressivas até que haja definição concreta sobre tarifas e regulação do setor.

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