Rio de Janeiro pode definir governador sem segundo turno após retirada de recurso de Garotinho

A desistência do ex-governador Anthony Garotinho do recurso que tentava validar sua candidatura no TSE abre caminho para que Douglas Ruas (PL) seja proclamado governador do Rio de Janeiro ainda no primeiro turno, caso a Corte confirme a anulação dos 3,17% de votos atribuídos ao candidato indeferido.

Recurso retirado altera a matemática eleitoral

Na segunda-feira, 5 de outubro de 2026, o ex-governador Anthony Garotinho protocolou no Tribunal Superior Eleitoral a renúncia ao agravo que questionava a decisão de indeferimento de sua candidatura, emitida pelo TRE-RJ em setembro. Com o recurso retirado, os votos recebidos pelo postulante — 3,17% do total válido — tendem a ser declarados nulos e, portanto, excluídos da contagem oficial.

O impacto imediato recai sobre a soma de votos de Douglas Ruas e Eduardo Paes (PSD), que disputariam o segundo turno em 25 de outubro. Ruas obteve 49,27%, enquanto Paes somou 42,76%. Caso o recálculo confirme mais de 50% para o candidato do PL, o pleito fluminense estará resolvido sem uma nova rodada.

Resultados do primeiro turno e cenário partidário

A eleição de 4 de outubro registrou a decisão imediata de governadores em 20 unidades da Federação. O Rio de Janeiro, tradicionalmente marcado por disputas acirradas, indicou uma votação expressiva para Douglas Ruas, contrariando projeções de institutos de pesquisa.

Ruas, deputado estadual e presidente da Alerj, alcançou quase metade do eleitorado fluminense. Além de ter o apoio da estrutura partidária do PL, legenda que também lançou Flávio Bolsonaro à presidência, o candidato capitalizou a migração de eleitores após o indeferimento de Garotinho.

Já Eduardo Paes, ex-prefeito da capital, manteve desempenho significativo, contudo insuficiente para ultrapassar o adversário. A eventual extinção do segundo turno eliminaria a janela de campanha de três semanas, redirecionando estrategicamente as articulações políticas para a transição de governo.

Entenda o indeferimento da candidatura Garotinho

O TRE-RJ indeferiu a candidatura de Garotinho com base em condenação por improbidade administrativa derivada de suposto esquema de fraudes e desvio de verbas na Secretaria de Estado de Saúde entre 2005 e 2006. A decisão reconheceu a inelegibilidade aplicada em 2018, impedindo a reabilitação política até 2026.

Mesmo sob efeito suspensivo parcial, Garotinho concorreu sub judice. O voto dado ao candidato nessa condição é contabilizado provisoriamente e fica sujeito a anulação posterior. Ao retirar o recurso, o próprio candidato acelera o desfecho do processo, reduzindo a margem para reverter a inelegibilidade antes da diplomação.

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O caso evidencia a relevância do artigo 16-A da Lei das Eleições, que possibilita a participação de candidatos pendentes de análise judicial, mas submete a totalidade de seus votos a posterior confirmação do Judiciário.

Governabilidade e sucessão interina no estado

Desde março de 2026, o Rio é chefiado interinamente pelo presidente do TJ-RJ, Ricardo Couto de Castro. A posse provisória decorreu da renúncia de Cláudio Castro e da inelegibilidade imposta ao ex-governador por abuso de poder em 2022. O vácuo na linha sucessória, ampliado pela saída do vice e pelo afastamento de lideranças da Alerj, criou ambiente de instabilidade institucional.

Com a possibilidade de vitória de Douglas Ruas no primeiro turno, a transição tende a ocorrer de forma direta, sem eleição suplementar para mandato-tampão. Ruas, inspetor licenciado da Polícia Civil e filho do prefeito de São Gonçalo, capitão Nelson Ruas, consolidaria a influência do PL em um dos principais colégios eleitorais do país, alinhando o Executivo estadual à bancada federal e ao projeto presidencial do partido.

Próximos passos no TSE

O TSE deve se pronunciar sobre a homologação da desistência de Garotinho nas próximas sessões. Concluída a etapa, a Secretaria Judiciária recalculará o quociente eleitoral excluindo os votos inválidos. Caso o percentual de Douglas Ruas ultrapasse a barreira de maioria absoluta, o tribunal proclamará o resultado definitivo, dispensando a votação prevista para 25 de outubro.

Se, por eventual reinterpretação de votos nulos ou questionamentos processuais, o índice ficar aquém dos 50%, o segundo turno permanece obrigatório entre Ruas e Paes. A legislação eleitoral estabelece prazo até 20 de outubro para publicação do acórdão de totalização e, posteriormente, até 19 de dezembro para a diplomação dos eleitos.

Conclusão técnica

A retirada do recurso por Anthony Garotinho acelera uma definição inédita para o governo do Rio de Janeiro. A depender da validação do TSE, Douglas Ruas pode ser confirmado governador ainda nesta semana, aumentando para 21 o número de estados sem segundo turno em 2026. O processo aguarda apenas o julgamento formal da Corte e a consequente retotalização dos votos, etapas que devem ocorrer dentro do calendário eleitoral estabelecido.

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