O UBS BB elevou a recomendação das ações preferenciais do Banrisul (BRSR6) de venda para neutra nesta terça-feira (06), ajustando o preço-alvo de R$ 15,50 para R$ 18,10; a revisão sugere potencial de alta, ainda que modesto, e indica que a maior parte dos riscos já está precificada, reduzindo a atratividade de operações vendidas contra o papel.
Múltiplos descontados e rentabilidade já incorporada ao preço
A casa de análise destaca que o Banrisul é negociado a aproximadamente 0,6 vez o valor patrimonial projetado para 2027, abaixo da média de 1,1 vez observada entre bancos médios acompanhados. Em termos de lucro, o papel está cotado a 5,4 vezes o resultado estimado para 2027, contra 6,3 vezes dos pares. Essa diferença reflete, segundo o relatório, rentabilidade estruturalmente inferior do banco em comparação aos concorrentes.
Para o UBS BB, entretanto, o desconto atual passou a ser considerado “razoavelmente incorporado” ao valor de mercado, o que limita uma compressão adicional de múltiplos. A instituição não projeta expansão significativa desses indicadores, mas também vê menor probabilidade de deterioração adicional, fundamento que sustenta a mudança para a posição neutra.
Margem financeira em recuperação gradual é o vetor-chave
O foco do potencial de melhoria operacional está na margem financeira líquida (NIM). No segundo trimestre de 2026, o índice ficou em 4,2 %, bem abaixo da média histórica de 6,2 %. O relatório atribui a defasagem a fatores regulatórios—como o teto de juros do cheque especial—e à elevada participação do crédito consignado, cuja competição reduziu spreads.
Os analistas projetam que o NIM avance para 5 % em 2029, ainda aquém da curva histórica, mas suficiente para elevar o retorno sobre o patrimônio líquido médio (ROAE) de 9,3 % em 2026 para 11,8 % em 2029. A sensibilidade calculada indica que cada ponto percentual adicional de NIM adiciona cerca de 1,3 p.p. ao ROAE.
Os principais catalisadores para a expansão da margem incluem:
- Maior alavancagem do balanço, dada a relação crédito-depósitos de 61 %, distante dos 99 % dos pares nacionais;
- Recomposição do mix de produtos para pessoas físicas, com redução do consignado (de 80 % em 2021 para 65 % em 2026) e incremento planejado em cartões e crédito pessoal;
- Ajuste gradual das taxas em produtos existentes, acompanhando o ciclo de juros.
Dividendos sustentam a atratividade enquanto a tese amadurece
Enquanto a normalização da margem não se reflete totalmente nos números, o UBS BB aponta o payout de 40 % mantido em 2026 como suporte adicional. De acordo com o estudo, a rentabilidade projetada (ROAE ~12 %) permitiria preservar essa distribuição ao longo da próxima década, em linha com a política histórica da instituição.

Além disso, há espaço para privilegiar juros sobre capital próprio (JCP), mecanismo que, ao considerar a atual alíquota de imposto sobre dividendos, maximiza o retorno líquido ao investidor. O dividend yield implícito, calculado pelo UBS BB, reforça a justificativa para manter posição neutra, fornecendo remuneração ao acionista enquanto os resultados efetivos não absorvem plenamente a estratégia de melhora operacional.
Comparação setorial e possíveis gatilhos futuros
No universo de bancos de capital aberto, o Banrisul permanece posicionado como instituição regional com perfil de menor risco de crédito, alta cobertura de depósitos e concentração em consignado. O levantamento do UBS BB sugere que o papel pode responder positivamente a:
- Evolução da carteira PF com maior participação de cartões, elevando margens;
- Redução de provisões caso o ciclo de inadimplência estabilize em patamares mais baixos;
- Concretização de iniciativas digitais que reduzam custo de atendimento e melhorem cross-sell.
Por outro lado, fatores como nova compressão de spreads em crédito consignado, alterações regulatórias adversas e concorrência de grandes bancos digitais são monitorados como riscos de baixa para a tese.
Conclusão técnica
A revisão do UBS BB de venda para neutro em Banrisul sinaliza reconhecimento do ajuste já realizado nos múltiplos e da expectativa de estabilização da rentabilidade. O potencial de recuperação da margem financeira, aliado a políticas consistentes de distribuição de lucros, oferece sustentação ao preço-alvo de R$ 18,10. A trajetória futura dependerá, primordialmente, da capacidade do banco em dinamizar a carteira de crédito, ampliar spreads e capturar eficiências operacionais. Até que esses vetores se materializem, a equação risco-retorno permanece equilibrada, justificando a manutenção da posição neutra indicada pelos analistas.



