Pedido de despejo contra Casas Bahia faz cotas do HSLG11 recuarem mais de 4% e expõe risco de concentração

HSI Logística (HSLG11) ajuizou em 8 de outubro de 2026 uma ação de despejo contra a Casas Bahia (BHIA3) após novo atraso de aluguel que soma R$ 4,30 milhões; a iniciativa derrubou as cotas do fundo em 4,16% no início do pregão e realçou a dependência de 30,7% da receita contratada proveniente da varejista.

Dinâmica da inadimplência e detalhes do processo

Inquilina de dois galpões – HSI Log. Contagem, em Contagem (MG), e HSI Log. São José dos Pinhais, em São José dos Pinhais (PR) – a Casas Bahia quitou em atraso o aluguel de agosto, mas reincidiu em setembro. O valor vencido em 7 de outubro equivale a R$ 4,30 milhões. Diante da reincidência, a administradora e a gestora do HSLG11 protocolaram o pedido de despejo na mesma semana, buscando a retomada dos imóveis e a execução da garantia locatícia.

O fundo destaca que o crédito é extraconcursal – ou seja, posterior ao pedido de recuperação judicial apresentado pela varejista em 16 de agosto de 2026. Nessa condição, a obrigação não se submete ao plano de reestruturação, conforme artigos 49 e 67 da Lei 11.101/2005, permitindo a cobrança integral e imediata em juízo.

Reação do mercado e impacto nas cotas do fundo

Logo após a divulgação do fato relevante, as cotas de HSLG11 abriram em queda acentuada. Às 13h00, o preço recuava 4,16%, negociado a R$ 84,06. O movimento refletiu a leitura de risco adicional ao fluxo de rendimentos mensais e à ocupação dos ativos logísticos.

Analistas observam que interrupções de aluguel podem comprometer a distribuição de dividendos de curto prazo, parâmetro sensível para investidores de fundos imobiliários. Além disso, a eventual vacância dos galpões exige prazo para relocações, potencialmente pressionando o cap rate médio do portfólio.

Exposição a grandes locatários e concentração de receita

No relatório gerencial mais recente, a participação da Casas Bahia corresponde a 30,7% da receita contratada do fundo, sendo 27,4% de locação direta e 3,3% de áreas sublocadas. Outras empresas de varejo compõem fatias relevantes do faturamento: Mercado Livre (13,3%), Bemol (12,9%) e Assaí (11,8%).

Pedido de despejo contra Casas Bahia faz cotas do HSLG11 recuarem mais de 4% e expõe risco de concentração - Imagem do artigo original

A combinação de quatro locatários respondendo por mais de 68% da receita amplia o risco de concentração em um cenário macroeconômico de juros elevados e demanda enfraquecida no varejo. O portfólio do HSLG11 soma apenas seis ativos, limitando a diluição de eventuais vacâncias específicas.

O histórico recente da varejista ilustra o ambiente adverso: no segundo trimestre de 2026, a Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões, influenciado por eventos não recorrentes que totalizaram R$ 9,1 bilhões, incluindo baixas de ativos e gastos com reestruturação.

Conclusão técnica

A ação de despejo indica tentativa do HSLG11 de preservar fluxo de caixa imediato e reduzir exposição a um locatário em processo de recuperação judicial. Caso o pedido seja acatado, o fundo precisará conduzir nova comercialização dos imóveis em Contagem e São José dos Pinhais, em prazo ainda indeterminado, enquanto administra possível impacto na distribuição de rendimentos. O mercado seguirá monitorando a tramitação do processo, a capacidade de retomada das unidades e o andamento do plano de reestruturação da Casas Bahia, fatores que podem influenciar tanto a precificação das cotas quanto a estabilidade financeira do portfólio nos próximos trimestres.

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