Juros em queda definem o próximo salto das ações de saúde, aponta UBS BB

O recuo expressivo dos rendimentos dos títulos públicos após o primeiro turno das eleições impulsionou entre 17% e 33% as cotações de Rede D’Or, Bradsaúde, Hapvida, Fleury e Dasa; segundo relatório do UBS BB, a continuidade desse rali dependerá agora da trajetória dos juros de longo prazo, fator-chave para a precificação futura das companhias do setor.

Juros eleitorais e a primeira onda de valorização

Na semana que antecedeu e sucedeu o primeiro turno, o mercado brasileiro assistiu a uma compressão de 1 p.p. na curva de um ano e de 1,75 p.p. nos vértices de dez anos. Esse alívio provocou reflexo imediato nas ações de saúde, tradicionalmente mais sensíveis ao custo de capital:

  • Bradsaúde avançou 33%;
  • Rede D’Or saltou 30%;
  • Hapvida ganhou 28%;
  • Fleury subiu 22%;
  • Dasa registrou 17%.

Para o UBS BB, esse movimento inicial é compatível com a melhora das condições financeiras, mas não esgota o potencial de reprecificação caso a tendência de queda dos rendimentos continue.

Sensibilidade de valuation: quem ganha mais com o juro longo menor

O banco projetou cenários de sensibilidade aplicando redução adicional de 1,75 p.p. na taxa de dez anos. O resultado sobre o valor justo estimado foi distribuído da seguinte forma:

  • +24% para Bradsaúde;
  • +22% para Rede D’Or;
  • +21% para Fleury;
  • +18% para Dasa;
  • +17% para Hapvida.

A justificativa está no peso que as projeções de fluxo de caixa futuro exercem sobre o valuation dessas empresas. Quanto maior a fatia de resultados a serem capturados em horizontes longos, mais relevante se torna o WACC na conta. A descida da taxa de desconto eleva o valor presente dos projetos, beneficiando sobretudo grupos hospitalares com ciclos de investimento prolongados.

Impacto nos lucros: alívio para endividadas, pressão para seguradora

Quando a análise migra para a linha de resultado, a influência é heterogênea. Com a hipótese de redução de 1 p.p. no CDI:

Juros em queda definem o próximo salto das ações de saúde, aponta UBS BB - Imagem do artigo original

  • Dasa: lucro estimado para 2027 sobe 14%, atingindo R$ 428 mi;
  • Hapvida: avanço de 8%, para R$ 334 mi;
  • Fleury: incremento de 2%;
  • Rede D’Or: impacto positivo de 1%;
  • Bradsaúde: queda de 2%, para R$ 5,18 bi.

A lógica decorre do perfil financeiro de cada companhia. Dasa e Hapvida carregam despesas financeiras relevantes contra a geração operacional de caixa, motivo pelo qual se beneficiam diretamente de um custo de dívida menor. Já Bradsaúde, por atuar como seguradora, converte parte de seu resultado em receitas financeiras; juros mais baixos reduzem esses rendimentos.

Próximos gatilhos e a percepção de risco Brasil

Segundo o relatório, o mercado já precificou boa parte da queda da Selic esperada para curto prazo. A segunda perna de valorização dependerá de uma redução adicional no juro de longo prazo, associada à diminuição do prêmio de risco soberano. Os exercícios apresentados incluem:

  • Taxa de dez anos a 11,8%: potencial de +7% em média, com destaque para Bradsaúde (+11%) e Rede D’Or (+10%);
  • Taxa de dez anos a 11,3%: reavaliação entre +12% e +20%, variando conforme a companhia.

O UBS BB alerta, contudo, que tais projeções isolam o efeito tabelado dos juros e não incorporam mudanças operacionais ou eventuais revisões de lucro. Além disso, lembra que papéis do setor têm liquidez inferior à média, o que amplia a volatilidade em cenários de ajuste de posição.

Conclusão Técnica

A valorização recente das ações de saúde foi catalisada por uma queda significativa nos juros após o primeiro turno eleitoral. A análise do UBS BB indica que a continuidade desse movimento exigirá nova compressão na parte longa da curva, condição que favorece, sobretudo, empresas com fluxo de caixa mais distante, caso de Bradsaúde e Rede D’Or. Em paralelo, grupos com alavancagem elevada, como Dasa e Hapvida, manterão sensibilidade alta ao custo da dívida. Até o segundo turno, a dinâmica de preço deve permanecer ancorada na percepção de risco-país; eventuais revisões operacionais ou movimentos de política monetária serão os vetores determinantes para a próxima fase de precificação do segmento.

0

Carregando conteúdo…