BTG Pactual incluiu C&A (CEAB3), XP (XPBR31), Cyrela (CYRE3), Copasa (CSMG3) e Equatorial (EQTL3) em sua carteira ESG de outubro, sustentando que, além da valorização superior a 30 % registrada desde 5 de outubro, cada companhia exibe governança, projetos ambientais e iniciativas sociais capazes de gerar altas adicionais que variam de 15,6 % a 52 %.
Rali pós-primeiro turno acelera papéis expostos à economia doméstica
O início de outubro foi marcado por um avanço expressivo do mercado acionário brasileiro após a divulgação dos resultados do primeiro turno das eleições presidenciais. A vantagem do senador Flávio Bolsonaro reforçou a percepção de continuidade de políticas consideradas favoráveis ao ambiente de negócios, elevando a procura por empresas ligadas ao consumo interno, crédito e infraestrutura.
No intervalo compreendido entre 5 e 16 de outubro, as ações de XP, C&A, Cyrela, Copasa e Equatorial acumularam altas acima de 30 %. O movimento acompanhou a trajetória do Ibovespa, que renovou máximas históricas ao superar 8,8 % de ganhos semanais, e foi intensificado por expectativas de redução da Selic em 2027.
Esse ambiente de maior apetite ao risco e juros potenciais mais baixos estimulou o BTG Pactual a revisar sua carteira temática, priorizando companhias capazes de se beneficiar da retomada da atividade doméstica e, simultaneamente, de manter métricas sustentáveis reconhecidas por índices internacionais.
Critérios ESG guiam seleção do banco para outubro
Segundo relatório distribuído a clientes em 15 de outubro, o BTG escolheu as cinco companhias com base em pilares de Environmental, Social & Governance. Entre os tópicos analisados, destacam-se:
• Ambiente: metas de descarbonização, manejo de resíduos e uso de energia renovável.
• Social: inclusão financeira, bem-estar animal, segurança ocupacional e projetos educacionais.
• Governança: conselhos independentes, transparência contábil e mecanismos de controle pós-privatização.
No varejo, a C&A assumiu compromisso público de empregar 100 % de algodão mais sustentável e adotar práticas de economia circular. Em serviços financeiros, a XP intensificou programas de educação e inclusão financeira, além de reforçar protocolos de segurança de dados.
No setor de saneamento, a recém-privatizada Copasa apresenta potencial de impacto social ao ampliar o acesso a água tratada e esgoto. Já a elétrica Equatorial foi reconhecida pela adoção de indicadores de eficiência energética e recuperação de ecossistemas em suas concessões.
A construtora Cyrela, por meio do Instituto Cyrela, direciona recursos a projetos de habitação popular, educação e melhoria de qualidade de vida nas comunidades onde atua, reforçando a vertente social da carteira.

Potenciais de valorização e fundamentos de cada companhia
C&A (CEAB3) – O banco estima preço-alvo de R$ 19,00, acréscimo de 52 % sobre o fechamento de 16 de outubro. A tese inclui ganhos de eficiência operacional, melhora na margem bruta e expansão do fluxo de caixa livre.
XP (XPBR31) – Com exposição direta à retomada do mercado de capitais, a ação figura entre as preferidas do BTG. A recuperação das emissões e o aumento das receitas com brokerage podem sustentar expansão dos lucros em ritmo superior ao setor. O banco projeta continuidade do ganho de participação nos investimentos de clientes.
Copasa (CSMG3) – A privatização concluída em junho colocou a Equatorial como acionista relevante, detendo 30 % da companhia. O BTG calcula preço-alvo de R$ 81,00, potencial de 31,4 %, respaldado por expectativa de distribuição de dividendos próximos a 100 % do lucro líquido de 2026.
Cyrela (CYRE3) – A construtora apresentou resultados operacionais sólidos mesmo sob juros elevados, superando concorrentes em participação de mercado. Com projeção de queda gradual da taxa básica, o BTG atribuiu preço-alvo de R$ 40,00, acréscimo de 24,2 %, reforçado por margem bruta resiliente e estrutura de capital equilibrada.
Equatorial (EQTL3) – A elétrica, considerada a alocadora de capital de maior destaque no setor, pode alcançar R$ 56,00, avanço de 15,6 %. O relatório destaca benefícios provenientes de um ciclo de flexibilização monetária e de ajustes regulatórios que favorecem a companhia.
Além das cinco selecionadas, o BTG manteve Sabesp (SBSP3) entre os papéis mais recomendados do mercado, apoiado em potencial de crescimento de longo prazo e perspectiva de incremento nos dividendos após a privatização.
Conclusão técnica
Ao incorporar critérios ambientais, sociais e de governança à análise fundamentalista, o BTG Pactual reforçou a convicção de que valuation atrativo e desempenho ESG podem caminhar juntos. O banco projeta que a combinação de juros em queda, recuperação da confiança doméstica e avanços regulatórios mantenha o fluxo comprador nesses ativos nos próximos trimestres. Monitoramentos futuros devem concentrar-se na execução das metas sustentáveis anunciadas, nos resultados financeiros trimestrais e na evolução do cenário macroeconômico brasileiro.



