O governo sul-coreano começou a converter cinco aeroportos regionais em hubs internacionais com o objetivo de desconcentrar o fluxo turístico de Seul e espalhar os benefícios econômicos para outras partes do país, após receber 18,9 milhões de visitantes estrangeiros em 2025.
Plano oficial mira acessos diretos e redução da dependência da capital
A proposta foi detalhada pelo vice-ministro da Cultura, Esportes e Turismo, Daehyun Kim, durante o Global Tourism Economy Forum (GTEF), realizado em Macau em 16 de outubro de 2026. Segundo o representante, apenas um terço dos viajantes ultrapassa a região metropolitana de Seul, limitando a distribuição de receitas em um setor que já superou o recorde pré-pandemia, de 17,5 milhões de turistas em 2019.
Para alterar esse cenário, o governo selecionou os aeroportos de Gimhae, Daegu, Cheongju, Muan e Yangyang. A estratégia inclui ampliar rotas internacionais diretas, flexibilizar procedimentos de imigração e promover campanhas de marketing voltadas a cada região, reduzindo a necessidade de conexão na capital.
Infraestrutura e incentivos ancoram o novo eixo turístico
O Ministério da Cultura, Esportes e Turismo coordena um pacote de investimentos em conjunto com as autoridades locais e o Ministério dos Transportes. Entre as ações previstas estão:
- Modernização dos terminais de Gimhae (próximo a Busan) e Daegu para aumentar a capacidade de passageiros em até 30 % até 2028;
- Criação de zonas francas adjacentes a Cheongju e Muan, oferecendo benefícios fiscais a hotéis, operadoras de receptivo e startups de mobilidade;
- Implementação de sistemas de imigração biométrica em Yangyang a partir de 2027, agilizando o tempo de desembarque para menos de 15 minutos.
De acordo com o vice-ministro, desde 2013 foram contabilizados 1.422 novos empreendimentos ligados ao turismo — entre hospedagens, restaurantes e programas de passeios — distribuídos por 147 localidades. O objetivo é elevar esse número para 2.000 até 2030, com prioridade às áreas próximas aos cinco aeroportos estratégicos.
Hallyu e roteiros temáticos compõem a oferta fora da capital
A política pública aproveita o interesse global pela Hallyu (onda coreana), que inclui k-pop, doramas e gastronomia, para estruturar roteiros temáticos distantes de Seul. Exemplos citados pelo ministério:

- Busan – festivais de cinema e praias utilizadas como cenários de dramas televisivos;
- Gyeongju – sítios arqueológicos do antigo Reino de Silla, integrados a experiências de realidade aumentada;
- Jeonju – oficinas de hanji (papel tradicional) associadas à culinária local, reconhecida pela UNESCO como Cidade Gastronômica.
Além dos atrativos culturais, o governo planeja consolidar eventos esportivos e de tecnologia para sustentar o fluxo durante a entressafra de férias. Feiras de e-sports, maratonas costais e encontros de inovação em saúde devem compor o calendário oficial a partir de 2027.
Comparativo regional evidencia tendência asiática de diversificação
A Coreia do Sul segue um movimento já observado em outros destinos da Ásia. A autoridade de turismo da China, por exemplo, tem promovido voos diretos para Chengdu e Chongqing, reduzindo a concentração em Pequim e Xangai. Em 2024, essas cidades registraram crescimento de 22 % na chegada de estrangeiros via rotas recém-inauguradas. O paralelo reforça a viabilidade da estratégia sul-coreana, especialmente ao considerar a conectividade aérea e a popularidade cultural do país.
Analistas do setor estimam que a diversificação de portas de entrada pode elevar o gasto médio por visitante em até 15 %, pois o viajante tende a permanecer mais tempo em circuitos regionais que combinam turismo histórico, lazer e compras.
Conclusão técnica
A Coreia do Sul adotou um plano de descentralização turística alicerçado em cinco aeroportos regionais, índices robustos de chegada de visitantes e no apelo global da Hallyu. A execução envolve expansão de infraestrutura, incentivos fiscais e roteiros temáticos que conectam música, audiovisual e patrimônio histórico a economias locais. Caso as metas de ampliação de rotas e geração de novos empreendimentos sejam cumpridas até 2030, a participação das regiões fora da capital no total de turistas estrangeiros deve superar o atual patamar de 33 %, redistribuindo receita e reduzindo pressões sobre Seul. O monitoramento anual de fluxos passará a integrar os relatórios do Ministério da Cultura, Esportes e Turismo, servindo de base para ajustes na política de incentivos e na malha aérea internacional.



