Eleições acirradas, balanços dos grandes bancos e petróleo acima de US$ 110 impulsionam os mercados hoje

Investidores iniciam o pregão desta terça-feira atentos a três vetores principais: o segundo turno presidencial no Brasil, a divulgação iminente de balanços dos maiores bancos do país e a retomada da cotação do Brent para patamar superior a US$ 110 por barril, combinação que redefine o humor dos mercados globais e locais.

Balanços dos bancões: inadimplência e rentabilidade no centro do radar

A temporada de resultados começa com expectativa elevada em torno de Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil. Analistas ouvidos pela reportagem projetam que o custo de risco continuará pressionado, reflexo do aumento da inadimplência em linhas de crédito para pessoas físicas e pequenas empresas. No segundo trimestre, a média do índice de inadimplência acima de 90 dias dos quatro grandes bancos alcançou 4,1 %, e a expectativa preliminar aponta avanço para a faixa entre 4,3 % e 4,5 % no período encerrado em setembro.

O desafio, segundo especialistas, será preservar a margem financeira em ambiente de Selic em queda, sem permitir que o aumento dos NPLs corrói o retorno sobre o patrimônio (ROE). Entre as casas de análise consultadas, as projeções de ROE variam de 17 % a 21 % para Itaú e Banco do Brasil, ao passo que Bradesco e Santander podem registrar patamares entre 13 % e 16 %. A leitura desses números deverá “separar o joio do trigo” dentro do setor, conforme a metáfora recorrente no mercado.

França em convulsão e impacto no mercado de renda fixa europeu

Enquanto os balanços locais ganham tração, a Europa segue em polvorosa. Paris, Marselha e Lyon testemunham protestos diários contra a inflação persistente, o encarecimento dos combustíveis e a deterioração de serviços públicos. As imagens de ruas em chamas elevaram o prêmio de risco dos OATs de 10 anos – títulos soberanos franceses – para 80 pontos-base acima dos Bunds alemães, maior distância desde 2017.

A escalada pressiona a gestão fiscal do presidente Emmanuel Macron, que busca conciliar cortes de gastos com programas de subsídio energético. Analistas da zona do euro sinalizam que a tendência pode contagiar outros países de alto endividamento, como Itália e Espanha, gerando volatilidade adicional nos índices acionários Stoxx 600 e CAC 40, que recuaram mais de 1 % no pregão de ontem.

Segundo turno presidencial, dados de emprego nos EUA e petróleo em alta

No Brasil, o cenário político entra na reta decisiva. O agregador de pesquisas do portal parceiro Money Times indica empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), com diferença inferior a um ponto percentual dentro da margem de erro. A volatilidade do Ibovespa, que encerrou a segunda-feira em baixa de 0,17 %, tende a aumentar à medida que novas sondagens forem divulgadas até o domingo, 25 de outubro.

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Do ponto de vista macroeconômico internacional, sai hoje o relatório ADP de empregos no setor privado norte-americano. A mediana das previsões aponta criação de 155 mil vagas em setembro. Resultado acima desse patamar pode reforçar a expectativa de manutenção dos Fed Funds entre 5,25 % e 5,50 % por período mais prolongado, pressionando juros globais.

Já no mercado de commodities, o barril do Brent voltou ao nível de três dígitos durante a madrugada, atingindo US$ 111,37. A alta reflete temores de oferta restrita após autoridades da Opep+ indicarem disposição para prorrogar cortes de produção até o primeiro trimestre de 2027. O movimento impôs queda de 2,1 % às ações da Petrobras (PETR4) ontem e mantém o papel suscetível a novas oscilações.

Conclusão Técnica

Os próximos dias devem ser guiados por três disparadores de volatilidade: a divulgação dos balanços bancários, que revelará a resiliência das margens diante da inadimplência; a evolução dos protestos na França, com potencial de influenciar a curva de juros soberanos europeus; e o desfecho do segundo turno presidencial, que define o rumo da política fiscal doméstica. Paralelamente, o comportamento do Brent acima de US$ 110 e os dados de emprego dos EUA calibram expectativas sobre liquidez global. Frente a esse mosaico, os agentes de mercado ajustam posições em busca de proteção e eventuais assimetrias de retorno até que os fatos concretos se consolidem nos preços.

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