Um levantamento do relatório Travel Trends, produzido pelo Skyscanner, indica reduções de até 76% nas tarifas aéreas de ida e volta em classe econômica para viagens realizadas em 2027, partindo de São Paulo e abrangendo dez destinos internacionais e nacionais de alto interesse turístico.
Queda histórica nas tarifas reforça janela de oportunidade
O Travel Trends comparou bilhetes reservados entre 1.º de janeiro e 17 de junho de 2026 com o mesmo intervalo de 2025. O recuo médio nas passagens variou de 3% a 76%, situando 2027 como um dos anos mais competitivos da última década para o turismo emitido pelo aeroporto de Guarulhos. Além das tarifas, o estudo correlacionou daily rates de hospedagem e o volume de buscas para confirmar relevância e potencial de venda de cada rota.
Dados consolidados pelo Skyscanner indicam que 3,4 milhões de pesquisas originadas no estado de São Paulo foram mapeadas durante o período analisado, movimento que sinaliza interesse consistente do público mesmo diante de volatilidade cambial.
Destino a destino: percentuais de redução e atrativos principais
Cidade da Praia, Cabo Verde (–76%) — A capital cabo-verdiana lidera o ranking com o maior recuo tarifário. A combinação entre novas frequências de companhias africanas e o impacto midiático da campanha da seleção nacional na Copa do Mundo de 2026 ampliou a oferta de assentos. No terreno turístico, destacam-se o Plateau, a Praça Alexandre Albuquerque e praias como Quebra-Canela e Prainha.
Cidade do México, México (–26%) — A segunda colocada registrou ganho de competitividade após acordos de compartilhamento de voos entre aéreas mexicanas e brasileiras. O corredor cultural que inclui o Templo Mayor, o Museu Nacional de Antropologia e o bairro de Coyoacán sustenta a demanda permanente.
Xangai, China (–25%) — A flexibilização de vistos de curta duração para brasileiros, em vigor desde novembro de 2025, provocou aumento no inventário de poltronas e queda expressiva nas tarifas. O contraste entre o Bund histórico e o distrito futurista de Lujiazui posiciona a metrópole como porta de entrada para a Ásia oriental.
Tampa, Estados Unidos (–13%) — O fluxo corporativo associado aos setores de saúde e tecnologia incentivou a abertura de voos com conexão em Miami, reduzindo preços finais. A cidade se beneficia do Tampa Riverwalk, do bairro histórico de Ybor City e da proximidade das praias do Golfo do México.
Campina Grande, Brasil (–9%) — Único destino doméstico do ranking, ganhou oferta adicional de assentos durante o período do São João, o que derrubou valores médios para o ano inteiro. Pontos de interesse incluem o Museu dos Três Pandeiros, o Açude Velho e a Feira Central.
Sydney, Austrália (–8%) — A entrada de aeronaves de maior autonomia na frota da Qantas permitiu rota sem escalas Brasil–Austrália sazonal, enxugando custos. Ícones como a Sydney Opera House, a Harbour Bridge e a trilha costeira entre Bondi e Coogee sustentam apelo turístico.

Nova York, Estados Unidos (–7%) — O ajuste tarifário resulta da competição entre companhias americanas e o avanço de aeronaves wide-body de menor consumo de combustível. Central Park, Broadway e grandes museus permanecem entre os atrativos prioritários.
Estocolmo, Suécia (–5%) — Redução associada a acordos de code-share via hubs alemães. A capital sueca atrai visitantes pelo bairro medieval Gamla Stan, pelo Vasa Museum e pela reputação em design escandinavo.
Nice, França (–5%) — Incentivos do governo francês para desestressar o Aeroporto Charles de Gaulle transferiram parte da malha para a Côte d’Azur, barateando conexões. A Promenade des Anglais e a proximidade de Cannes e Mônaco consolidam a procura.
San Andrés, Colômbia (–3%) — A menor variação da lista reflete a limitação de infraestrutura aeroportuária, mas ainda configura economia relevante. O “mar de sete cores”, Johnny Cay e atividades de mergulho compõem o portfólio local.
Variáveis que sustentam a queda de preços
Três fatores interligados explicam o movimento observado:
- Expansão de frota — A introdução de aeronaves long-range narrow-body reduziu custos operacionais em trechos de média distância, permitindo repasse de descontos ao consumidor.
- Acordos bilaterais — Novas políticas de open skies entre Brasil e nações parceiras aumentaram concorrência e derrubaram tarifas em rotas antes concentradas.
- Elasticidade cambial controlada — A estabilização do real próximo a R$ 5,00 por dólar no primeiro semestre de 2026 evitou reajustes agressivos nas componentes tarifárias indexadas em moeda estrangeira.
Perspectivas para 2027 e próximos movimentos do mercado
Companhias aéreas preveem a manutenção de oferta ampliada pelo menos até o terceiro trimestre de 2027, apoiadas em fator de ocupação projetado de 82%. Entidades de turismo estimam que o número de passageiros internacionais originados em São Paulo poderá ultrapassar 8,5 milhões no ano, crescimento de 9% sobre 2026. Paralelamente, redes hoteleiras sinalizam pacotes dinâmicos atrelados a “tarifas flutuantes” que acompanham o comportamento do câmbio, estratégia que tende a preservar a atratividade dos destinos listados.



