Contratos bilionários firmados por Itaú Unibanco e Amazon reaqueceram o mercado de lajes corporativas de alto padrão em São Paulo no terceiro trimestre de 2026, ampliando a absorção líquida para 140 mil m², elevando o valor médio dos aluguéis a R$ 153,59/m² e reduzindo a oferta em regiões estratégicas.
Contratos recordes redirecionam a demanda por espaços A e A+
A movimentação de julho a setembro registrou 44 transações que totalizaram 163,3 mil m² locados, volume quatro vezes superior ao observado no segundo trimestre. O destaque coube ao Itaú Unibanco, que assumiu 45,4 mil m² da Torre A do Complexo Esther Towers, e à Amazon, com 39,2 mil m² no Edifício Biosquare. Juntos, os dois grupos responderam por mais da metade dos espaços A e A+ absorvidos no período.
Além dos líderes, a lista incluiu Bayer (13,3 mil m² no Alto das Nações – Torre Corporativa) e Claro (11,1 mil m² no Quota Corporate). Os contratos foram intermediados por consultorias como CBRE e Binswanger Brazil, indicando maior participação de advisors especializados em grandes contas.
No caso do Itaú, a locação de ambas as torres do Esther Towers, somando 91,4 mil m², foi pactuada por dez anos, prorrogáveis por mais cinco, com receita projetada de R$ 1,17 bilhão para a incorporadora Eztec no período inicial. A entrega escalonada permitiu que apenas a primeira torre entrasse nas estatísticas do 3T26; a segunda ficará disponível até o primeiro semestre de 2027.
Oferta, preços e vacância evidenciam assimetria entre submercados
Embora tenham sido entregues 171,2 mil m² de novos escritórios A e A+, a taxa de vacância consolidada permaneceu próxima de 12%, sustentada pelo alto índice de pré-locação. No acumulado do ano, a absorção de 202 mil m² superou a nova oferta de 189 mil m², sinalizando demanda líquida positiva.
As cotações, contudo, variaram significativamente por região. Na Avenida Faria Lima, o preço pedido atingiu R$ 294,28/m², seguido pela JK (R$ 284,05/m²) e por Pinheiros (R$ 263,88/m²). Em contraste, Marginal Pinheiros registrou apenas R$ 88,88/m² e Chácara Santo Antônio R$ 75,59/m², correspondendo respectivamente a 58 % e 49 % da média municipal.

A vacância refletiu o mesmo descompasso: Itaim e Rebouças encerraram setembro sem áreas disponíveis, enquanto Chácara Santo Antônio permaneceu com o maior índice, 39,3 %. Na Marginal Pinheiros, o indicador chegou a 27,3 %; já a Faria Lima recuou para 8,16 %, consolidando-se como o submercado mais líquido da capital.
Redução do home office sustenta a retomada dos escritórios
O ciclo de devoluções observado entre 2020 e 2021, provocado pela adoção do trabalho remoto, começou a se inverter em 2022. A partir de 2025, decisões corporativas de restringir ou eliminar o home office aceleraram a procura por espaços físicos. Empresas de tecnologia e serviços financeiros, como Uber e Nubank, seguem a mesma direção adotada por Itaú e Amazon, reforçando a migração para lajes premium que ofereçam infraestrutura, certificações de sustentabilidade e proximidade a eixos de transporte.
Consultorias imobiliárias apontam três fatores para a escalada da demanda: (1) resiliência das atividades presenciais em funções estratégicas, (2) necessidade de ambientes colaborativos para inovação e (3) pressão de governança por métricas ESG ligadas a edifícios eficientes. A preferência recai sobre empreendimentos recém-entregues ou retrofitados, equipados com sistemas de ventilação avançada, certificação LEED e áreas de convivência ampliadas.
Conclusão Técnica
Os resultados do 3T26 confirmam a reativação do mercado paulistano de lajes corporativas de alto padrão, impulsionada por contratos de grande porte e pela redução da vacância em eixos consolidados. A assimetria entre bairros tende a prolongar-se, favorecendo zonas de alta liquidez, enquanto regiões periféricas dependem de incentivos de preço para reduzir estoques. Para 2027, a previsão é de entrada moderada de novos projetos, foco crescente em pré-locações e manutenção da pressão sobre valores de aluguel nas principais avenidas de negócios.



