Vale reporta queda de 54% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026, totalizando US$ 1,255 bilhão, resultado impactado pelo recuo dos preços de minério de ferro e pela alta dos custos de transporte correlacionados ao petróleo.
Desempenho financeiro: receita avança, mas rentabilidade encolhe
Entre julho e setembro, a receita líquida somou US$ 10,599 bilhões, crescimento de 2% em comparação anual, sustentado por volumes de venda estáveis e leve valorização de pelotas. No entanto, o Ebitda proforma recuou 20%, para US$ 3,508 bilhões, refletindo margens comprimidas pela combinação de câmbio desfavorável e descontos sobre o preço de referência do minério.
O consenso de mercado compilado pela Bloomberg estimava lucro de US$ 1,508 bilhão e Ebitda de US$ 3,324 bilhões; ambos os indicadores ficaram aquém das projeções para a última linha, mas superaram ligeiramente a expectativa operacional.
A dívida líquida expandida, que incorpora provisões relacionadas a Brumadinho e Samarco, recuou 1% em doze meses, para US$ 16,413 bilhões. O fluxo de caixa livre recorrente atingiu US$ 1,4 bilhão, ante US$ 1,6 bilhão um ano antes, enquanto o fluxo total, impulsionado por gestão de capital de giro, chegou a US$ 2,2 bilhões.
Custos operacionais pressionados por câmbio, diesel e bunker
O custo caixa C1 subiu 12% na comparação anual, alcançando US$ 23,1 por tonelada, impactado pela valorização do real frente ao dólar e pelo encarecimento do diesel. Já o custo all-in, que adiciona frete marítimo e outras despesas logísticas, avançou 21%, para US$ 60,4 por tonelada.
A escalada do petróleo Brent elevou o preço do bunker utilizado nas rotas intercontinentais, pressionando a tabela de fretes. Para mitigar essa volatilidade, cerca de 70% do consumo de combustível marítimo previsto para 2026 foi coberto por operações de hedge, gerando economia estimada de US$ 1,4 por tonelada no trimestre. Para 2027, 67% do volume projetado já está protegido a preço médio equivalente a US$ 78 por barril.
Mesmo com a proteção, a queda de 10% nos preços realizados de minério de ferro, que fecharam o trimestre em US$ 85,1 por tonelada, não foi integralmente compensada, resultando em erosão das margens.
Produção e vendas: queda em Serra Norte e recorde em Serra Sul
A produção de minério de ferro totalizou 88,4 milhões de toneladas, 6% inferior ao 3T25, influenciada pela menor disponibilidade de ROM em Serra Norte. Em contrapartida, Serra Sul registrou novo recorde trimestral e os projetos Capanema e VGR1 adicionaram volumes que suavizaram o recuo global.
Nas pelotas, o volume produzido avançou 7%, atingindo 8,6 milhões de toneladas, beneficiado pela robusta demanda por insumos de redução direta na siderurgia de baixa emissão de carbono.

O prêmio all-in para finos de minério permaneceu estável em US$ 4,4 por tonelada. Contudo, a menor oferta de produtos de qualidade intermediária de Carajás reduziu a contribuição adicional em US$ 1,4 por tonelada frente ao trimestre anterior.
Metais básicos: cobre sustenta ganhos, níquel cede
A divisão Metais Básicos exibiu Ebitda de US$ 1,1 bilhão, alta de 61% ano a ano, impulsionada pelo cobre. O metal gerou Ebitda de US$ 1,0 bilhão, avanço de 66%, sustentado por preço médio realizado de US$ 15.314 por tonelada, incremento de 56% em doze meses.
Em contrapartida, o níquel apresentou Ebitda de US$ 98 milhões, queda de 14%, pressionado por custos de manutenção e menores teores, ainda que o preço realizado tenha subido 9% na comparação anual, para US$ 16.898 por tonelada.
A produção trimestral ficou em 85,5 mil toneladas de cobre (-6%) e 49,7 mil toneladas de níquel (+6%). A companhia reafirmou expectativa de atingir, em 2026, a metade superior do intervalo de 360 mil – 380 mil toneladas de cobre e 185 mil – 200 mil toneladas de níquel.
Perspectivas e próximos passos
A Vale mantém a projeção de produzir entre 335 milhões e 345 milhões de toneladas de minério de ferro em 2026, mirando o limite inferior do intervalo, e aponta ponto médio de 30 milhões a 34 milhões de toneladas para pelotas. A estratégia de hedge continuará central para suavizar variações de combustível marítimo e petróleo, enquanto iniciativas de eficiência operacional em Serra Sul e projetos brownfield deverão contribuir para estabilizar volume e margens.
Do lado corporativo, a redução gradual da dívida expandida permanece alinhada à política de retorno ao acionista, ainda condicionada à evolução dos preços de commodities e ao cenário macro. A performance da divisão Metais Básicos seguirá monitorada pelo mercado, em função da crescente demanda associada à transição energética, elemento-chave para a diversificação de receita da mineradora.



