Citi reconfigura apostas no varejo: Magazine Luiza perde força enquanto Alpargatas assume posição estratégica

O Citi revisou nesta quarta-feira suas recomendações para o varejo brasileiro, rebaixando Magazine Luiza (MGLU3) para neutra e elevando Alpargatas (ALPA4) para compra, após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva provocar forte alta nos juros de longo prazo e alterar a percepção de risco no mercado local.

Pressão dos juros corrói o apetite por risco

A reeleição do presidente Lula para um quarto mandato resultou numa recalibração imediata dos ativos brasileiros. O Citi destaca que a taxa DI Jan/35 saltou de 12,7% para 15,5% em poucos dias, movimento que reforçou a expectativa de juros elevados por um horizonte mais prolongado. Esse novo patamar contrasta com o ciclo de afrouxamento que se iniciou em 2023 e, segundo o banco, aproxima-se do nível de 15% registrado pela Selic no início daquele período de cortes.

Diante desse cenário, o Citi passou a considerar um custo de capital mais alto em seus modelos, penalizando empresas alavancadas e sensíveis a crédito. O banco também revisou suas premissas para o câmbio, projetando o dólar a R$ 5,46 em 2027, contra R$ 5,33 anteriormente, além de estimar Selic média de 13,5% no mesmo horizonte.

Magazine Luiza: alavancagem e sensibilidade a financiamento pesam

Para Magazine Luiza, o Citi cortou o preço-alvo de R$ 14 para R$ 6, mantendo a classificação de alto risco. A justificativa repousa em três pilares:

  • Alavancagem financeira: custos de dívida pressionados reduzem a flexibilidade para expansão e investimentos.
  • Sensibilidade a crédito: maior dependência de parcelamentos e linhas de financiamento ao consumidor, encarecidas num ambiente de juros altos.
  • Reprecificação competitiva: ainda que a concorrência tenha arrefecido, o banco não vislumbra gatilhos consistentes para valorização da ação enquanto o custo de capital continuar elevado.

Com base nesses fatores, o Citi enxerga trajetória de lucros mais volátil até 2027 e limita a probabilidade de múltiplos de valuation retornarem aos níveis pré-pandemia.

Alpargatas: marca forte e balanço sólido impulsionam upgrade

Em sentido oposto, Alpargatas passou de recomendação de venda para compra. A recente correção de preços tornou a relação risco/retorno mais atrativa, segundo os analistas. Entre os principais vetores destacados, estão:

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  • Marca global: Havaianas mantém capilaridade internacional, reduzindo a dependência do consumo doméstico.
  • Receita em moeda forte: maior parcela de exportações gera hedge natural contra a desvalorização do real.
  • Balanço robusto: menor alavancagem financeira confere resiliência num ciclo de juros elevados.

Mesmo negociando com prêmio frente a concorrentes, o Citi julga o diferencial justificado pelo perfil defensivo do negócio, combinando geração de caixa previsível e exposição relevante a mercados externos.

Nova hierarquia de preferências no setor

Com o ambiente macro mais restritivo, o Citi adotou postura seletiva, priorizando empresas de menor beta, balanços saudáveis e diversificação de mercados. A carteira recomendada passou a contar com quatro nomes:

  1. Smart Fit (SMFT3)
  2. Alpargatas (ALPA4)
  3. Vivara (VIVA3)
  4. Lojas Renner (LREN3)

O banco mantém visão positiva para Lojas Renner no longo prazo, mas reconhece que a intensificação da concorrência internacional pode limitar o momentum de curto prazo.

Conclusão Técnica

A reeleição presidencial alterou as premissas de risco no Brasil, provocando escalada das taxas de longo prazo e exigindo revisões nas teses de investimento em varejo. O Citi respondeu reduzindo exposição a companhias alavancadas e elevando nomes com perfil defensivo e receitas em moeda forte. Enquanto não surgir um arcabouço fiscal considerado crível, a instituição projeta manutenção dos juros em níveis altos, o que deve continuar premiando empresas com balanços robustos, diversificação geográfica e menor dependência de crédito doméstico.

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