Selic mantida em 13,75% reacende atratividade do Tesouro Direto; gestor vê taxas “históricas” em prefixados e IPCA+

Introdução (Lead): O Comitê de Política Monetária do Banco Central decidiu manter a taxa Selic em 13,75% ao ano, interrompendo cinco reduções consecutivas e, na avaliação de Igor Campos, gestor de renda fixa da Armor Capital, o movimento reforça a atratividade de títulos públicos, que voltaram a oferecer remunerações consideradas “premiadas” após a recente alta do prêmio de risco fiscal.

Juro básico congelado e novo ambiente de mercado

A manutenção da Selic, anunciada em 4 de novembro de 2026, já era amplamente precificada, mas veio acompanhada de um comunicado que destacou riscos adicionais de inflação relacionados à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à conjuntura geopolítica global. Esses elementos frearam o ciclo de afrouxamento iniciado em março, quando a taxa básica caiu de 14,50% para 14,00% e prosseguiu até alcançar 13,75% na reunião anterior.

Para os investidores em renda fixa, o cenário tem dois efeitos imediatos: preserva o carregamento de 1% ao mês nos papéis pós-fixados atrelados à Selic e amplia o prêmio exigido pelo mercado nos prefixados e indexados à inflação. O gestor da Armor Capital observa que, durante o segundo turno eleitoral, as expectativas de responsabilidade fiscal levaram as taxas dos títulos públicos a mínimas de 12% ao ano nos prefixados e 6% ao ano acima do IPCA nos indexados. Com a reprecificação pós-eleição, esses níveis saltaram para cerca de 15% ao ano (prefixados) e 7,5% ao ano + IPCA (Tesouro IPCA+).

Reprecificação dos títulos públicos e janelas de oportunidade

O prêmio de risco fiscal retornou a patamares vistos antes da campanha eleitoral, impulsionando a rentabilidade potencial dos títulos federais. De acordo com Campos, “são taxas historicamente elevadas que podem ser travadas por prazos longos”. Ele destaca que o Tesouro IPCA+ com taxa real de 7,5% tem capacidade de dobrar o capital em aproximadamente seis anos, assumindo inflação média de 4% ao ano.

Os dados do Boletim Focus reforçam a leitura da gestora. As projeções de Selic para 2028 e 2029 subiram para, respectivamente, 11,0% e 11,5%, enquanto a expectativa de inflação avançou de 3,75% para 4,0% em 2028 e de 3,50% para 3,98% em 2029. Esse ajuste de perspectiva limita a probabilidade de quedas expressivas nos juros no horizonte próximo, sustentando a demanda por papéis de renda fixa de longo prazo.

No mercado secundário, a amplitude diária de preços dos títulos evidenciou a volatilidade: o Tesouro Prefixado 2033 chegou a registrar variação superior a 2,5 pontos-percentuais em menos de um mês. Esse comportamento, segundo o gestor, sinaliza tanto o risco quanto a oportunidade para quem deseja montar carteira gradualmente.

Selic mantida em 13,75% reacende atratividade do Tesouro Direto; gestor vê taxas “históricas” em prefixados e IPCA+ - Imagem do artigo original

Estratégias de alocação segundo a Armor Capital

A recomendação da casa parte da premissa de que o investidor defina horizonte e liquidez necessária. Para objetivos de curto prazo ou reserva de emergência, o Tesouro Selic continua preferencial, pois oferece remuneração próxima a 1% ao mês com baixíssima volatilidade.

Para prazos médios e longos, a orientação é combinar:

  • Títulos prefixados – Taxa de 15% ao ano permite capturar ganho nominal elevado se a curva de juros recuar no futuro;
  • Tesouro IPCA+ – Cupom real de 7,5% ao ano assegura proteção contra inflação e potencializa rendimento real;
  • Parcela residual em pós-fixados para balanceamento e eventuais necessidades de caixa.

Campos enfatiza que “algum grau de conservadorismo” faz sentido mesmo para perfis arrojados, dado o ambiente de incerteza fiscal. A exposição escalonada entre diferentes vencimentos – prática conhecida como barbell ou escada – reduz o risco de marcação a mercado negativo em momentos de stress.

Conclusão técnica

A interrupção do ciclo de cortes na Selic, aliada ao aumento da percepção de risco fiscal, devolveu aos títulos públicos níveis de remuneração raramente observados na série histórica recente. Enquanto o Banco Central monitora a evolução das expectativas de inflação e das contas públicas, investidores encontram no Tesouro Direto uma oportunidade para fixar juros elevados e diversificar o portfólio. A projeção majoritária do mercado indica estabilidade da taxa básica no patamar atual até o fim do ano, com ajustes graduais somente a partir de 2027. Nesse contexto, manter posição relevante em pós-fixados e aproveitar taxas reais acima de 7% nos indexados à inflação configura estratégia defensiva capaz de preservar poder de compra e potencializar retorno, qualquer que seja a direção dos próximos movimentos de política monetária.

0

Carregando conteúdo…