Bancos privados somam R$ 22,6 bi de lucro no 3T26, mas disparidade de ROE evidencia custo da Selic elevada

Lucro conjunto de Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil avança 2,4% no terceiro trimestre de 2026, alcançando R$ 22,61 bilhões, enquanto a rentabilidade de cada instituição reage de forma desigual ao crédito mais caro e à pressão sobre o orçamento de famílias e empresas.

Desempenho financeiro no 3T26

O trimestre marcou um crescimento nominal dos resultados dos três maiores bancos privados de varejo, porém com trajetórias distintas. O Itaú Unibanco registrou lucro líquido de R$ 12,617 bilhões, praticamente estável na comparação anual, preservando o maior retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) do setor, de 23,6%. O Bradesco apresentou o 11º trimestre consecutivo de avanço sequencial: lucro de R$ 7,1 bilhões, alta de 1,2% sobre igual intervalo de 2025. O Santander Brasil, por sua vez, expôs maior vulnerabilidade; o lucro recuou 28% ano contra ano, para R$ 2,9 bilhões, comprimindo o ROE para 11,9%.

Considerando o acumulado, o ganho agregado de R$ 22,61 bilhões supera em 2,4% o observado no 3T25, mas a dispersão do indicador de rentabilidade evidencia impactos diferenciados do ciclo de aperto monetário. Enquanto o Itaú opera confortavelmente acima de 20% de ROE, o Bradesco mantém-se em 15,6% — 16,1% se ajustado ao aumento de capital de R$ 10 bilhões —, e o Santander trabalha abaixo da meta definida pela controladora espanhola, que mira 20% até 2028.

Pressões macroeconômicas e gestão do risco de crédito

O ambiente de Selic em 13,75% ao ano e endividamento elevado de consumidores restringe a capacidade de pagamento, elevando a inadimplência potencial e exigindo provisões adicionais nos balanços. Analistas do Citi observam que o cenário de juros altos por período prolongado privilegia modelos de negócios com lucros previsíveis e forte geração de caixa, mas também impõe seleção criteriosa de carteiras.

No Santander, a deterioração nos segmentos de agronegócio e baixa renda pressionou a margem e expandiu despesas de provisão, refletindo-se na queda de 5,6 pontos percentuais do ROE. O banco passa por um processo de rebalanceamento de exposição a esses nichos, estratégia que tende a sustentar a recuperação apenas gradualmente.

O Bradesco manteve disciplina no controle de custos e registrou crescimento de receitas de serviços; ainda assim, a elevada base de capital após a injeção de R$ 10 bilhões diluiu a rentabilidade. A administração sinaliza conduta prudente na concessão de crédito, citando comprometimento recorde da renda das famílias.

Já o Itaú colhe benefícios de política de crédito mais conservadora adotada antes da piora do ciclo econômico. A aposta em linhas com risco menor — como consignado e financiamento de veículos com relação de garantia mais robusta — contribuiu para manter o índice de inadimplência sob controle. Por outro lado, a divisão de banco de investimento sentiu retração das emissões no mercado de capitais, limitando o avanço das receitas não financeiras.

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Estratégias individuais e perspectivas para 2027

Para o Itaú, o desafio será sustentar ROE acima de 20% mesmo com menor expansão de margem financeira. A administração indica foco em eficiência operacional e monetização de negócios adjacentes, como adquirência e gestão de ativos, a fim de compensar a desaceleração do crédito.

No Bradesco, a prioridade recai sobre equilibrar crescimento de carteira com estabilidade de qualidade, preservando capital. O banco projeta retomada gradual do índice de rentabilidade, apoiada pela recuperação da economia a partir da esperada flexibilização monetária em 2027.

O Santander Brasil delineia rota para alcançar os 20% de ROE em cinco anos, baseada na reconstituição da carteira agrícola, avanço em produtos de maior margem e digitalização de processos para reduzir despesas. A matriz espanhola acompanha de perto os ajustes, sobretudo após a reação negativa das ações em Madri, que recuaram 5% após a divulgação dos resultados.

Conclusão Técnica

O terceiro trimestre de 2026 confirma que a solvência dos grandes bancos privados brasileiros permanece sólida, porém a rentabilidade mostra sensibilidade às condições macroeconômicas. Itaú exibe resiliência superior; Bradesco demonstra recuperação ainda condicionada a cautela; Santander enfrenta maior pressão e depende de requalificar o mix de crédito. A persistência de juros elevados projeta manutenção de provisões robustas no curto prazo, enquanto decisões de política fiscal influenciarão o momento para cortes mais profundos da Selic. Nesse contexto, o desempenho futuro das margens e a evolução da inadimplência serão vetores centrais para a trajetória de lucros em 2027.

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