Amorim diz que Washington não mostra disposição para rever sobretaxas contra o Brasil

Brasília – O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, afirmou nesta quarta-feira (20) que o governo dos Estados Unidos “não tem interesse em negociar” as tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros. A declaração foi dada durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados.

Segundo Amorim, a decisão da Casa Branca de impor sobretaxas a mais de uma centena de países coloca em risco o sistema multilateral de comércio construído após a Segunda Guerra Mundial. “Quando um país muito forte estabelece tarifas unilateralmente, todo o comércio mundial perde referência”, observou.

O embaixador destacou que, no caso brasileiro, o tema comercial foi “misturado abertamente com questões políticas”. Amorim citou a Ordem Executiva de 30 de julho, na qual o governo norte-americano justificou o aumento das tarifas alegando, entre outros pontos, processos judiciais enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF).

Amorim relatou ainda que, antes da publicação da medida, o presidente Donald Trump tornou pública uma carta dirigida ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criticando assuntos da política interna brasileira. “Em mais de 60 anos de carreira diplomática, nunca vi uma correspondência que se tornasse pública antes de chegar ao destinatário”, disse.

Apesar das tensões, o assessor presidencial assegurou que o Planalto mantém abertura para o diálogo. Ele lembrou que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a agendar uma conversa telefônica com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, mas a ligação foi cancelada “por interferência externa”.

Amorim encerrou sua participação reforçando a necessidade de defender as regras multilaterais da Organização Mundial do Comércio (OMC) e rejeitou a ideia de rompimento com os Estados Unidos. “Não tomamos nenhuma ação hostil; sempre procuramos negociar”, concluiu.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

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Com informações de Agência Brasil