Banco Central adia lançamento do Pix parcelado, mas bancos já oferecem serviço com juros de até 9% ao mês

O Banco Central (BC) prorrogou a implementação oficial do Pix parcelado, modalidade de crédito que permitiria dividir pagamentos diretamente pelo sistema de transferências instantâneas. Apesar do adiamento, diversas instituições financeiras já disponibilizam a função a seus clientes, aplicando condições próprias e taxas que variam de 2% a 9% ao mês.

Lançado como alternativa para cerca de 60 milhões de brasileiros sem cartão de crédito ou com limite insuficiente, o serviço oferece duas formas de cobrança: débito em conta corrente ou inclusão das parcelas na fatura do cartão. O modelo escolhido depende do perfil do usuário testado por cada banco.

Diferença em relação ao cartão de crédito

No Pix parcelado, a cobrança de juros é automática – prática diferente da compra parcelada no cartão, que só incide juros quando o lojista repassa esse custo ou quando há atraso no pagamento. As parcelas e os limites são definidos pelos bancos conforme análise de risco do cliente.

A Febraban afirma que a nova linha de crédito pode ser mais barata que outras opções disponíveis no mercado e classifica o sistema como “ganha-ganha” para consumidores e lojistas. Estes, por sua vez, recebem o valor à vista e evitam as taxas das maquininhas.

Preocupação com o endividamento

Entidades de defesa do consumidor alertam para o risco de superendividamento. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) teme que o uso do nome Pix leve usuários a acreditar que a operação é isenta de custos. Hoje, quase 78 milhões de adultos estão inadimplentes no país.

Segundo o Idec, consumidores sem experiência em crédito podem perder o controle das finanças ao parcelar despesas corriqueiras, como corridas de aplicativo ou compras de supermercado, acumulando múltiplos vencimentos em dias diferentes do mês.

Regulamentação em elaboração

O Banco Central ainda não definiu as regras que nortearão o produto. Entre os pontos em estudo estão requisitos de transparência, limites de juros e informações que devem ser apresentadas ao usuário. A autoridade monetária deve lançar campanhas de esclarecimento quando publicar a regulamentação.

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Imagem: Adriano Ishibashi/Zimel Press via cbn.globo.com

Enquanto isso, a Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL) projeta oferecer descontos para incentivar o uso do Pix parcelado, embora reconheça que o cartão de crédito continue sendo a primeira escolha do consumidor.

Especialistas recomendam que o comprador compare as condições entre bancos e calcule se o desconto oferecido pelo lojista compensa o custo efetivo total das parcelas.

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Com informações de CBN