Brasil dá passo decisivo para lançar satélites comerciais a partir de Alcântara

Brasília – O programa espacial brasileiro se aproxima de um marco inédito: o primeiro lançamento orbital com finalidade comercial realizado em território nacional. O foguete sul-coreano Hanbit-Nano, da empresa Innospace, aguarda janela de decolagem no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, dentro da Operação Spaceward 2025, conduzida pela Força Aérea Brasileira (FAB) em parceria com a Agência Espacial Brasileira (AEB).

Parceria internacional e tecnologia híbrida

Selecionada em edital público da AEB em 2020, a Innospace firmou contrato com o Comando da Aeronáutica em 2022 para utilizar a base maranhense. O Hanbit-Nano emprega um dos maiores sistemas de propulsão híbrida do mundo, com motores criogênicos alimentados por bombas elétricas que combinam oxigênio e metano líquidos. A missão prevê colocar cinco pequenos satélites em órbita.

Autonomia estratégica

Segundo Elias Ramos de Souza, diretor de Inovação da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), depender de centros ou foguetes estrangeiros impõe limitações e riscos a qualquer país. “Não basta fabricar satélites; é essencial ter veículo lançador ou acesso confiável ao espaço”, afirma. O brigadeiro Jorge Marques de Campos Júnior, diretor do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), lembra que sistemas críticos de comunicação, energia, navegação e até a sincronização do sistema bancário dependem de satélites hoje operados por outras nações.

Investimentos públicos e privados

A Finep financia diversos projetos de foguetes com recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Na Missão 6 do programa Nova Indústria Brasil, estão previstos R$ 112,9 bilhões até 2026 para fortalecer a cadeia espacial. Entre os projetos apoiados destacam-se:

  • Microlançador Brasileiro (MLBR): R$ 190 milhões em subvenção para desenvolver veículos capazes de colocar pequenos satélites em órbita.
  • VLM-AT: acordo de R$ 133 milhões com a FAB para obter autonomia tecnológica em microlançadores.
  • VLM-1: iniciativa binacional Brasil-Alemanha voltada à criação de uma “família” de lançadores.
  • RATO-14X: foguete de 14 m e 15 t desenvolvido pela Equipaer, com R$ 93 milhões da Finep e velocidade prevista acima de Mach 8 para validar tecnologias de voo hipersônico.

Retomada após tragédia

O avanço atual busca superar o trauma da explosão do VLS-1 V03, em Alcântara, que em 2003 causou a morte de 21 profissionais três dias antes do lançamento. “Não existe programa espacial sem acidentes”, pondera Júlio Shidara, presidente da Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (AIAB). Para ele, a chave é manter investimentos constantes para evitar “voos de galinha”.

Perspectiva de mercado

De acordo com Ralph Correa, da Cenic Engenharia, apenas nove países dominam hoje lançadores próprios. A estratégia brasileira combina participação estatal e incentivos ao setor privado para replicar o modelo que consolidou a Embraer. “Queremos que, em poucos anos, exista uma empresa capaz de entregar sistemas completos: satélite e foguete”, observa Marco Antonio Chamon, presidente da AEB.

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Imagem: Divulgação via valor.globo.com

Com o lançamento do Hanbit-Nano, o CLA reforça sua posição geográfica privilegiada, próxima à linha do Equador, e inaugura uma nova etapa rumo à autonomia no acesso ao espaço, condição considerada vital para a soberania nacional.

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O Brasil se prepara para reinventar seu programa espacial e, com isso, ampliar sua participação em um mercado global avaliado em dezenas de bilhões de dólares. Continue acompanhado nossas publicações para saber como esses projetos podem impactar economia, tecnologia e empregos qualificados.

Com informações de Valor Econômico