Governo brasileiro vê como negativa a nova estratégia militar dos EUA para a América Latina

O Palácio do Planalto recebeu com apreensão o anúncio da nova estratégia de segurança nacional dos Estados Unidos, que prevê o aumento da presença militar norte-americana na América Latina. A medida, apresentada por Washington como ação para reforçar o combate ao tráfico de drogas, ao tráfico de pessoas e à imigração ilegal, é classificada por autoridades brasileiras como “péssima para a região e para o Brasil”.

Fontes do governo ouvidas pela reportagem indicam que a preocupação não se limita ao impacto sobre países vizinhos produtores de entorpecentes. Segundo esses interlocutores, há receio de que a iniciativa sirva de pretexto para tentativas de influência direta em assuntos internos brasileiros.

Desconfiança de interferência anterior

Integrantes do governo alegam que a administração Donald Trump, no passado, teria buscado interferir em decisões do Supremo Tribunal Federal (STF). As fontes citam, sem fornecer detalhes, uma suposta pressão para alterar o julgamento envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ainda assim, não há informações sobre o formato ou a extensão dessa tentativa.

Diante do novo posicionamento de Washington, a orientação do Itamaraty é adotar cautela diplomática. O governo pretende acompanhar os desdobramentos, mas reforça que “não abrirá mão da democracia” enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estiver na Presidência.

Contexto regional inclui crise venezuelana

A tensão se insere em um cenário mais amplo de preocupações sobre a política externa dos EUA para a América Latina, especialmente no que diz respeito à Venezuela. Brasília tem defendido soluções negociadas para a crise venezuelana, evitando endossar intervenções externas.

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Imagem: cnnbrasil.com.br

Até o momento, não foram anunciadas medidas práticas por parte do Brasil. A expectativa é de que o assunto seja tratado em fóruns multilaterais e em conversas bilaterais com autoridades norte-americanas nas próximas semanas.

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Com informações de CNN Brasil