Mosquitos da Mata Atlântica passam a preferir sangue humano, revela pesquisa

Rio de Janeiro – Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) identificou que mosquitos coletados em remanescentes da Mata Atlântica estão se alimentando majoritariamente de sangue humano. A mudança de preferência alimentar é atribuída à perda de biodiversidade na floresta e ao avanço do desmatamento.

Entre março e dezembro de 2022, os cientistas capturaram 1.714 mosquitos em dois fragmentos florestais: a Reserva Ecológica de Guapiaçu e a Reserva Sítio Recanto, ambas no estado do Rio de Janeiro. Apenas 145 fêmeas apresentavam abdômen cheio de sangue, condição necessária para análise do conteúdo ingerido.

“Código de barras” genético

Os especialistas extraíram o DNA presente nas amostras de sangue e sequenciaram um gene utilizado como identificador exclusivo de vertebrados. O procedimento permitiu determinar a origem do alimento em 24 espécimes.

Resultados: 18 fêmeas haviam picado seres humanos, enquanto as demais continham sangue de um anfíbio, seis aves, um canídeo e um camundongo. A predominância de amostras humanas indica um deslocamento alimentar significativo.

Impacto do desmatamento

De acordo com o estudo, a redução da cobertura vegetal provoca desequilíbrios nos habitats naturais dos vetores, altera seus ciclos de vida e aproxima os insetos de áreas residenciais. Esse cenário aumenta o risco de transmissão de doenças como dengue, Zika, chikungunya e febre amarela.

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Imagem: sangue humano  via cnnbrasil.com.br

“Os resultados destacam a importância de levar em conta não apenas a presença humana, mas também o comportamento alimentar dos mosquitos ao elaborar estratégias de controle de vetores”, conclui o documento divulgado em 14 de fevereiro.

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Com informações de CNN Brasil