WASHINGTON, 23 – A senadora norte-americana Elizabeth Warren enviou uma carta ao diretor interino do Escritório de Proteção Financeira ao Consumidor (CFPB), Russell Vought, acusando-o de enfraquecer a proposta do ex-presidente Donald Trump que limita a 10% ao ano as taxas de juros dos cartões de crédito por 12 meses.
No documento, obtido pela CNBC, Warren afirma que o CFPB, sob comando de Vought, abandonou uma regra que restringia cobranças por atraso, apoiou credores em disputas judiciais sobre práticas supostamente enganosas e suspendeu processos de fiscalização contra o setor de cartões.
Trump fez o apelo aos bancos em publicação recente nas redes sociais e, diante da ausência de adesão voluntária, pediu ao Congresso que aprove legislação impondo o teto de 10%. Warren diz ter informado ao ex-presidente que parlamentares podem avançar com o projeto, “desde que ele lute por isso”.
“Enquanto o Congresso avalia a matéria, suas decisões estão minando os objetivos declarados do presidente”, escreveu a senadora. Para ela, as ações do CFPB tornam “mais fácil – e não mais difícil – que grandes bancos e operadoras explorem os consumidores”.
Warren solicita que Vought:
- Restaure imediatamente a regra que fixa em US$ 8 (cerca de R$ 42) a multa máxima por atraso, estimando economia anual superior a US$ 10 bilhões aos titulares de cartão;
- Endureça a fiscalização sobre promoções de juros diferidos e aumentos de tarifa;
- Acelere a análise de reclamações de clientes;
- Coíba campanhas de “isca e troca” em programas de recompensas.
A parlamentar questiona se “o presidente Trump não está, de fato, comprometido em baratear o crédito” ou se o diretor do CFPB “ignora deliberadamente” a orientação presidencial. O órgão não comentou o conteúdo da carta até o fechamento desta edição.

Imagem: timesbrasil.com.br
Desde 2017, integrantes do governo republicano defendem o fechamento ou a redução de poderes do CFPB como parte de uma estratégia de desregulamentação pró-mercado. Ex-funcionários relatam que, na gestão de Vought, a agência enfrenta tentativas de demissões em massa e cortes de orçamento.
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Com informações de Times Brasil



