Brasil registra 80 assassinatos de pessoas trans em 2025 e mantém liderança em ranking mundial

RIO DE JANEIRO – O Brasil contabilizou 80 assassinatos de pessoas transexuais e travestis ao longo de 2025, mantendo‐se, pelo 18º ano consecutivo, como o país onde mais se mata integrantes dessa população no mundo, segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra).

O número revela queda em relação a 2024, quando foram registrados 122 homicídios, mas ainda expressa índice considerado crítico por entidades de direitos humanos. O monitoramento da Antra baseia‐se em análise diária de notícias, denúncias de organizações trans e registros públicos.

Mapa da violência

Ceará e Minas Gerais lideraram a estatística nacional em 2025, com oito assassinatos cada. A distribuição regional aponta:

  • Nordeste: 38 mortes
  • Sudeste: 17
  • Centro‐Oeste: 12
  • Norte: 7
  • Sul: 6

A maioria das vítimas era composta por mulheres trans jovens, com idades entre 18 e 35 anos, predominantemente negras ou pardas.

Tentativas de homicídio em alta

Apesar da redução no total de mortes, a Antra alerta para o aumento das tentativas de homicídio, indicando que a violência não diminuiu, apenas resultou em menos óbitos consumados.

Sistema que naturaliza a opressão

Para Bruna Benevides, presidente da entidade, os dados refletem “um sistema inteiro que naturaliza a opressão contra pessoas trans”. Ela destaca que a população trans enfrenta violência extrema desde cedo, agravada por exclusão social, racismo e falta de políticas públicas. Benevides também observa que, sem o mapeamento feito pela sociedade civil, essas mortes “simplesmente não existiriam para o Estado brasileiro”.

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Imagem: Mikaele Teodoro/Wikimedia via zap.aeiou.pt

Para saber mais sobre como as desigualdades sociais impactam diferentes grupos no país, confira a seção de Economia do Capital Financeiro.

O Brasil segue na liderança de um ranking que a cada ano expõe a urgência de políticas eficazes de proteção e inclusão da população trans. Acompanhe nossas atualizações e compartilhe esta reportagem para ampliar o debate.

Com informações de zap.aeiou.pt