Blocos centenários mantêm viva a história do Carnaval brasileiro

Três blocos de rua com mais de um século de existência continuam a colorir o Carnaval brasileiro em 2026, após atravessarem o Império, o fim da escravidão, períodos de ditadura e a pandemia de Covid-19.

Ouro Preto (MG) – Zé Pereira dos Lacaios, fundado em 1867

Criado por funcionários do antigo Palácio dos Governadores, o bloco Zé Pereira dos Lacaios desfila desde 1867 pelas ladeiras históricas de Ouro Preto. Fraques, cartolas, lanternas e bonecos gigantes como Catitão, Baiana e Benedito compõem o cortejo ao som de clarins e bumbos. A inspiração surgiu como resposta satírica aos “Machadinhos”, grupo formado pela elite local que chamava os servidores de “lacaios”. A alcunha foi adotada como um símbolo de resistência popular, garantindo quase 160 anos de atividade ininterrupta.

Rio de Janeiro (RJ) – Cordão da Bola Preta, criado em 1918

O Cordão da Bola Preta nasceu no centro do Rio de Janeiro no mesmo ano que marcou o fim da Primeira Guerra Mundial e o avanço da gripe espanhola. Reconhecido como o bloco mais antigo da capital fluminense, reúne milhares de foliões na manhã de sábado de Carnaval, todos identificados pelo traje branco com bolas pretas. Mesmo sob censura nos períodos do Estado Novo e da ditadura militar, manteve seus desfiles e consolidou-se como patrimônio cultural estadual.

Bezerros (PE) – Carnaval do Papangu, tradição de 140 anos

No agreste pernambucano, o Carnaval do Papangu ocupa o centro de Bezerros desde o início do século XX. Os mascarados – patrimônio cultural imaterial de Pernambuco – vestem roupas largas e utilizam máscaras coloridas que garantem anonimato, permitindo a participação de pessoas de todas as classes sociais. A origem do nome está ligada ao costume dos foliões de pedir angu nas casas visitadas. As primeiras máscaras eram confeccionadas com o fruto coité; depois, passaram a ser feitas de papelão e papel-machê, até receber técnicas mais elaboradas. Hoje, a festa conta com palco, programação oficial e forte apelo turístico, mas preserva o núcleo simbólico do anônimo que brinca livremente nas ruas.

Esses três blocos exemplificam a capacidade de reinvenção do Carnaval brasileiro, que segue celebrando cultura, identidade e resistência.

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Imagem: Douglas Souza via g1.globo.com

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Com informações de G1