Ameaças de intervenção dos EUA elevam tensão na América Latina

A possibilidade de envio de militares norte-americanos para a costa da Venezuela reacendeu o alerta de governos latino-americanos sobre uma eventual ação armada dos Estados Unidos no continente, algo que não ocorre desde a invasão do Panamá, em 1989.

Nos últimos dias, agências internacionais como Reuters e CNN noticiaram, com base em fontes do Pentágono, que a Casa Branca planeja deslocar 4 mil militares distribuídos em três porta-aviões sob o argumento de intensificar o combate ao narcotráfico.

Reações regionais

México, Colômbia e Brasil repudiaram publicamente a iniciativa. Em audiência na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (20), o assessor especial da Presidência brasileira, embaixador Celso Amorim, classificou a movimentação de navios de guerra como “motivo de grande preocupação” e reafirmou o princípio da não intervenção da política externa brasileira.

O presidente Nicolás Maduro declarou que o país “tem condições de se defender” e advertiu que qualquer agressão teria “repercussões continentais”. Caracas anunciou a mobilização de até 4,5 milhões de milicianos para atuar ao lado das Forças Armadas.

Casa Branca mantém pressão

Embora o deslocamento de tropas ainda não tenha sido confirmado oficialmente, a porta-voz Karoline Leavitt afirmou, na terça-feira (19), que o então presidente Donald Trump “está preparado para usar todo o poder americano contra a entrada de drogas” e voltou a chamar Maduro de “chefe fugitivo de um cartel de narcoterrorismo”.

Em 8 de agosto, o The New York Times divulgou que Trump autorizou operações militares em países da região para conter o tráfico de drogas. Pouco depois, Washington elevou de US$ 25 milhões para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à captura de Maduro, acusado de liderar o suposto Cartel de los Soles.

Dúvidas sobre rota de drogas

Estudo do Washington Office on Latin America (Wola) indica que apenas 7 % da cocaína destinada aos EUA sai do mar venezuelano; cerca de 90 % trafega pelas rotas do Caribe Ocidental e do Pacífico Oriental.

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Imagem: agenciabrasil.ebc.com.br

Risco para a estabilidade

O historiador e pesquisador de conflitos armados Rodolfo Queiroz Laterza avalia que uma ação pontual contra a Venezuela poderia desestabilizar politicamente toda a América Latina, hoje marcada por forte polarização, especialmente no Brasil.

As críticas também vieram da presidente do México, Claudia Sheinbaum, que defendeu cooperação regional no combate ao narcotráfico, mas sem violações à soberania. Já o presidente colombiano Gustavo Petro alertou que um ataque transformaria a Venezuela em “nova Síria” e arrastaria a Colômbia para o conflito.

Para entender como eventos internacionais podem influenciar o seu bolso, leia também a análise disponível em nossa seção de Economia.

Com informações de Agência Brasil

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