Um grupo crescente de consumidores nos Estados Unidos tem transformado programas de recompensas de cartões de crédito em uma fonte regular de renda. Conhecidos como “churners”, esses usuários acumulam dezenas de plásticos para aproveitar bônus de adesão, categorias de cashback e outros incentivos oferecidos pelas emissoras.
Como a prática funciona
O norte-americano conhecido apenas como Palm, citado pelo The New York Times, revelou que o “momento mais tenso” ocorre quando clica em “enviar” para solicitar mais um cartão. A aprovação, segundo ele, gera uma “descarga de adrenalina”. Em sete anos, Palm e a esposa reuniram mais de 50 cartões, somando pequenos bônus suficientes para compor uma renda complementar.
Cada oferta de boas-vindas adiciona uma quantia relativamente modesta ao orçamento familiar, mas a soma de várias promoções gera resultados notáveis. Para manter o fluxo de benefícios, os churners solicitam novos cartões de forma constante, respeitando prazos mínimos de elegibilidade exigidos pelas instituições.
Risco calculado e pontuação elevada
Especialistas alertam que a estratégia não é indicada para quem tem dificuldades em controlar gastos. “Se estiver inseguro sobre suas finanças, fique longe”, aconselha Palm. Um erro — como deixar de pagar a fatura integralmente — pode comprometer a pontuação de crédito e anular ganhos obtidos.
Por outro lado, muitos adeptos mantêm índices de utilização baixos, isto é, gastam apenas uma fração do limite disponível. Essa prática, somada ao fato de terem acesso a linhas de crédito elevadas, costuma resultar em notas superprime nos bureaus norte-americanos, mesmo com múltiplas solicitações de cartão no histórico.
Desafio para as emissoras
As operadoras reconhecem que milhares de clientes lucram com as campanhas promocionais, mas ainda não encontraram uma solução. Roger Hochschild, ex-CEO da Discover Financial Services (comprada pela Capital One), classifica o cenário como um “problema de seleção adversa”.
O modelo de negócios dos cartões se baseia em duas principais fontes de receita: juros aplicados a saldos rotativos e tarifas cobradas de lojistas a cada transação. Para atrair e manter usuários, as empresas lançam periodicamente novas categorias de reembolso e bônus de inscrição, mesmo sabendo que parte do público foca apenas nos benefícios pontuais.

Imagem: David Wignall via estadao.com.br
Segundo analistas, enquanto existirem ofertas agressivas, consumidores dispostos a estudar os regulamentos continuarão explorando as “brechas” do sistema.
Para quem pensa em adotar a tática, a recomendação central é a gestão rigorosa do orçamento — regra indispensável para que a busca por recompensas não se transforme em endividamento.
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Com informações de Estadão



