São Paulo — A comunicadora e ativista Neon Cunha reuniu cinco referências jornalísticas, artísticas e audiovisuais que jogam luz sobre identidade de gênero, cidadania e violência contra pessoas trans no Brasil. As indicações buscam reforçar a urgência de políticas públicas e de dados oficiais capazes de combater a exclusão de um grupo que segue submetido a agressões diárias.
Violência ainda invisível
Segundo a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), 90% das travestis e mulheres transexuais no país dependem da prostituição — atividade majoritariamente exercida nas ruas, o que aumenta a exposição a ataques físicos e psicológicos. A maioria das mortes ocorre em áreas periféricas e permanece fora das estatísticas oficiais, reforçando a subnotificação.
Para enfrentar essa realidade, a ANTRA produz dossiês anuais a partir do monitoramento de assassinatos. O levantamento mais recente, “Dossiê: Assassinatos e Violências contra Pessoas Trans em 2026”, é apontado por Cunha como ferramenta essencial na formulação de políticas que garantam segurança, saúde e o direito de envelhecer da população trans.
Obras recomendadas
Entre os conteúdos sugeridos pela ativista está o “Mapa dos Assassinatos Trans/ANTRA 2017”, que apresenta panorama da violência naquele ano. Na literatura, ela destaca “O Nascimento de Joicy” (Arquipélago Editorial, 2015), no qual a jornalista Fabiana Moraes narra a trajetória de uma mulher trans que vive no sertão pernambucano.
No campo das artes visuais, o trabalho de Jota Mombaça aparece como reflexo de discussões sobre descolonização, racismo e gênero, ressignificando a produção artística contemporânea. Já o curta-metragem “O Babado de Toinha” (Sérgio Bloch, 2020) acompanha uma cozinheira que produz artesanalmente o dendê usado em seus acarajés, evidenciando resistência e independência no cotidiano.
Por fim, o podcast “Identidade ou Morte”, da Rádio Novelo, revisita o pedido de morte assistida que Neon Cunha levou à Organização dos Estados Americanos em 2016. O gesto extremo, afirma a ativista, foi um clamor por existência plena, não um desejo de desaparecer.

Imagem: gamarevista.uol.com.br
As recomendações reforçam que discutir visibilidade trans significa reconhecer um sistema de violência estrutural e exigir respostas concretas do Estado.
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Compreender essas narrativas é passo decisivo para construir uma sociedade na qual pessoas trans possam viver com segurança e dignidade. Continue acompanhando nossas publicações para se manter informado.
Com informações de Gama Revista


