Bradesco desembolsou R$ 3,104 bilhões em dividendos e JCP no segundo trimestre de 2026, mantendo a dianteira entre as dez companhias da B3 que mais distribuíram recursos aos acionistas após a mudança na tributação dos proventos.
Volumes pagos superam R$ 10 bilhões entre as dez maiores distribuidoras
Levantamento realizado pela Elos Ayta para o portal Money Times identificou empresas que mantêm distribuições superiores a R$ 100 milhões por trimestre desde junho de 2025. Dentro desse grupo, dez companhias responderam por um total de R$ 10,4 bilhões em proventos apenas entre abril e junho de 2026, mesmo após a vigência das novas alíquotas incidentes sobre dividendos.
A lista é capitaneada por quatro bancos e uma operadora de telecomunicações, demonstrando a resiliência de setores tradicionais na geração de caixa:
- Bradesco (BBDC4) – R$ 3,104 bi
- Santander Brasil (SANB11) – R$ 1,738 bi
- TIM (TIMS3) – R$ 1,153 bi
- Itaú Unibanco (ITUB4) – R$ 1,061 bi
- Caixa Seguridade (CXSE3) – R$ 990 mi
- B3 (B3SA3) – R$ 587 mi
- Localiza (RENT3) – R$ 572 mi
- Allos (ALOS3) – R$ 454 mi
- Klabin (KLBN11) – R$ 422 mi
- Gerdau (GGBR4) – R$ 363 mi
A soma reforça a capacidade dessas companhias de preservar distribuições recorrentes, mesmo diante de ajustes regulatórios e do ciclo de juros ainda elevado.
Impacto da tributação e antecipação de pagamentos em 2025
A vigência do novo regime tributário, aprovada no fim de 2025, alterou a dinâmica dos fluxos de caixa das empresas listadas. Para mitigar os efeitos fiscais, diversas companhias anteciparam pagamentos extraordinários ainda no quarto trimestre de 2025. O movimento elevou temporariamente os volumes distribuídos para R$ 35,2 bilhões entre as maiores pagadoras naquele período.
O caso mais expressivo envolveu o Itaú Unibanco, que liberou R$ 20,7 bilhões antes da virada do ano. Na sequência, Santander Brasil e TIM replicaram a estratégia, concentrando proventos que teriam sido escalonados ao longo de 2026. Como resultado, o comparativo anual aponta retração de pagamentos no primeiro semestre de 2026, mas a base recorrente permanece robusta, conforme demonstrado pelo levantamento.
Diferença entre montante pago e dividend yield
Enquanto relatórios de mercado costumam destacar o dividend yield — razão entre o valor distribuído por ação e a cotação do papel —, o estudo da Elos Ayta priorizou o fluxo absoluto de caixa ao acionista. A distinção busca evitar distorções causadas por dividendos não recorrentes ou oscilações de preço. Um yield elevado pode advir de quedas abruptas na ação, sem refletir capacidade sustentável de remuneração. Ao elencar empresas que remuneraram acima de R$ 100 milhões por trimestre desde 2025, o critério foca resiliência e consistência — fatores relevantes para investidores em busca de renda passiva perene.
Setores em evidência: serviços financeiros e economia real
A predominância de bancos no topo do ranking sublinha a geração de receitas estáveis por meio de crédito, serviços e gestão de ativos, mesmo em ambiente macroeconômico de crescimento moderado. Já a presença de TIM reforça o caráter defensivo do segmento de telecomunicações, sustentado por contratos de longo prazo e alta previsibilidade de caixa.
Companhias da chamada economia real também se destacaram. Localiza, maior locadora de veículos do país, manteve ritmo acelerado de retornos graças ao aumento da frota e sinergias com o turismo interno. A fabricante de papel e celulose Klabin e a siderúrgica Gerdau capitalizaram a demanda externa por commodities, assegurando espaço na lista mesmo frente à volatilidade cambial.
Conclusão Técnica
Os dados do segundo trimestre de 2026 confirmam que, apesar da nova tributação e do efeito-base criado pelas antecipações de 2025, um núcleo sólido de empresas segue capaz de remunerar acionistas com volumes significativos. A tendência indica manutenção de pagamentos sazonalmente menores em 2026, porém compatíveis com o fluxo de caixa operacional de cada companhia. Para os próximos trimestres, analistas monitoram a evolução do crédito bancário, a política de investimentos das operadoras de telecomunicações e o ciclo de commodities, variáveis que poderão influenciar o patamar de distribuições sem comprometer a consistência observada até aqui.



