Bitcoin supera bolsa dos EUA, ouro e CDI na última década, revela pesquisa

Pesquisa conduzida pelo Mercado Bitcoin em parceria com a Opinion Box aponta que o bitcoin acumulou valorização superior a 10.700% entre 2016 e 2025, superando S&P 500, ouro, Ibovespa e CDI, enquanto 80% dos brasileiros ainda desconhecem esse desempenho.

Desempenho histórico coloca criptomoeda no topo dos investimentos

O levantamento analisou a rentabilidade de diferentes classes de ativos ao longo de dez anos. Segundo o relatório, o bitcoin (BTC) registrou alta de 10.728,9% no período, com retorno anualizado de 46,2%. Para efeito de comparação, o índice norte-americano S&P 500 avançou 839,5% (19,9% ao ano) e o ouro subiu 285,3% (11,5% ao ano). No mercado doméstico, o Ibovespa entregou 263,6% (11% anuais), enquanto o CDI acumulou 219,7% (9,8% ao ano).

Apesar desses números, somente 22% dos entrevistados identificaram corretamente o BTC como o ativo mais lucrativo da década; entre investidores que já possuem criptomoedas, o acerto sobe para 37%. O resultado evidencia a lacuna de informação que ainda persiste sobre o desempenho da criptomoeda.

Simulações mostram ganho expressivo com pequena alocação em BTC

Para avaliar o efeito da inclusão do ativo digital em carteiras tradicionais, a pesquisa simulou um portfólio composto por 60% de renda fixa atrelada ao CDI e 40% de Ibovespa. Sem exposição a criptomoedas, a estratégia teria gerado retorno acumulado de 259,6% entre 2016 e 2025.

Quando 1% de bitcoin é adicionado, o ganho sobe para 288%. Com 5% de BTC, o retorno alcança 421,5% — diferença de 33% em relação ao modelo inicial. A melhora vem acompanhada de indicadores de risco mais favoráveis: o Sharpe ratio avança de 0,13 para 0,52, e o max drawdown recua de -14,9% para -12,8%.

Esses resultados sinalizam que a criptomoeda, mesmo em baixa proporção, pode aumentar a eficiência do portfólio, entregando mais retorno por unidade de risco. O ganho de escala só se torna acompanhado de volatilidade relevante quando a exposição ultrapassa 10% do total investido, segundo o estudo.

Conservadorismo prevalece entre investidores brasileiros

O relatório também analisou o perfil do investidor doméstico. Entre os entrevistados, 68% declararam priorizar segurança, enquanto 53% buscam rentabilidade. Essa preferência se reflete na composição das carteiras: CDBs estão presentes em 56% dos portfólios, poupança em 49% e Tesouro Direto em 30%.

Mesmo entre quem já investe em cripto, o conservadorismo não desaparece. 46% desse grupo ainda mantêm recursos na poupança. Por outro lado, detentores de ativos digitais demonstram maior diversificação, com participação acima da média em ações, fundos de investimento e fundos imobiliários.

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A pesquisa indica que o principal obstáculo à entrada no universo cripto é o medo de começar. Entre não investidores, 48% dizem temer o segmento; entre quem já possui criptomoedas, esse índice cai para 19%. Além disso, 62% afirmam ter dificuldade para compreender termos técnicos como blockchain, halving e DeFi, enquanto 76% acreditam ser necessário amplo conhecimento para lidar com ativos voláteis.

Mercado brasileiro ganha escala, mas barreiras de informação persistem

Estima-se que 25 milhões de brasileiros já tenham investido em criptoativos, número equivalente a cinco vezes a base de CPFs cadastrados na B3. Atualmente, 16% dos investidores possuem alguma criptomoeda, e 56% dos que ainda não entraram demonstram interesse futuro.

O apetite é mais intenso entre jovens. Entre pessoas de 18 a 29 anos que nunca investiram em cripto, mais da metade planeja fazê-lo. Dados internos do Mercado Bitcoin confirmam a tendência: 12% dos novos clientes têm menos de 18 anos e 23% até 28 anos.

No recorte de usabilidade, 64% dos entrevistados desconhecem o uso de stablecoins para remessas internacionais isentas de IOF, e 67% ignoram a possibilidade de oferecer criptomoedas como garantia para empréstimos. Ainda assim, 50% trocariam o Pix por um cartão de débito com 1% de cashback em BTC; entre investidores de cripto, a adesão potencial salta para 60%.

Conclusão técnica

Os dados confirmam o bitcoin como ativo de maior retorno na última década e indicam que pequenas alocações podem melhorar a relação risco-retorno de carteiras tradicionais. O cenário, contudo, revela amplo descompasso entre desempenho e percepção do investidor brasileiro, ainda majoritariamente conservador e impactado por barreiras de conhecimento técnico. À medida que informação qualificada, regulação e mecanismos de segurança se consolidam, a expectativa é de maior integração das criptomoedas ao portfólio doméstico, especialmente entre as novas gerações que já demonstram apetite crescente pelo setor.