Como blindar a empresa contra juros altos: estratégias de Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual

Roberto Sallouti defende que, diante da volatilidade global e dos custos de capital elevados, companhias reforcem balanço, reduzam endividamento e priorizem investimentos em tecnologia e gestão para atravessar ciclos econômicos adversos.

Fatores externos que pressionam o ambiente de negócios

Na conferência Tax Revolution, que reuniu 500 executivos, o líder do BTG Pactual listou cinco vetores que redirecionam a economia mundial. O primeiro é a reorganização geopolítica, marcada por conflitos regionais, tarifas mais altas e desglobalização, fatores que encarecem cadeias de suprimentos e elevam a inflação. O segundo vetor é o fim da era de taxas de juros próximas de 0% nas economias avançadas, realidade que vigorou entre 2010 e 2023 e não deve se repetir no curto prazo.

O terceiro elemento diz respeito às mudanças climáticas. Oscilações estruturais em regimes de seca e enchentes já obrigam instituições financeiras a reformular modelos de precificação de risco, segundo o executivo. O quarto vetor é a ascensão da China como potência tecnológica, que amplia a oferta de produtos com preços competitivos e pressiona margens globais. O quinto e talvez mais transformador é a inteligência artificial, descrita por Sallouti como potencialmente “mais disruptiva do que a Revolução Industrial”.

Três gargalos internos que limitam o crescimento do Brasil

Embora reconheça as pressões internacionais, Sallouti sublinha que o País precisa enfrentar desafios domésticos. O primeiro é o custo do dinheiro. Ao citar o intervalo entre 2017 e 2019, quando a Selic recuou de 13,75% para 4,5%, ele atribuiu a melhora à disciplina fiscal. A proposta do banqueiro é limitar a expansão real das despesas públicas a 0%, mantendo apenas a reposição inflacionária.

O segundo obstáculo é a segurança em três frentes: pública, jurídica e tributária. A previsibilidade de regras e a proteção contra práticas ilícitas são condições que influenciam a precificação de risco, o acesso a crédito e, por consequência, os níveis de investimento produtivo. O terceiro pilar é a produtividade, estagnada há décadas. Para contornar o problema, Sallouti destaca a necessidade de ampliar investimentos em infraestrutura, simplificar a burocracia e qualificar mão de obra — metas que motivaram a criação do Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança), faculdade baseada em projetos práticos e bolsa integral para metade dos alunos.

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Boas práticas de gestão financeira em cenários de incerteza

O CEO do BTG recomenda que empresas elaborem orçamentos considerando juros elevados e atividade econômica modesta. A orientação inclui:
• Revisar a estrutura de capital para evitar alavancagem excessiva.
• Priorizar fluxo de caixa e liquidez, alongando dívidas quando possível.
• Investir em sistemas de gestão que integrem dados operacionais, fiscais e de risco.
• Diversificar fontes de receita e fornecedores para mitigar rupturas de cadeia.

Sallouti frisa que companhias com balanços robustos tendem a capturar oportunidades durante crises, seja por meio de aquisições a preços descontados ou pela conquista de participação de mercado quando concorrentes fragilizados reduzem operações.

Conclusão Técnica: Em um quadro dominado por tensões geopolíticas, normalização monetária e transição digital, a gestão empresarial deve concentrar-se em variáveis controláveis. Manter disciplina fiscal no nível corporativo, reforçar liquidez e adotar tecnologia para análise de riscos tornam-se medidas indispensáveis. Ao trabalhar com premissas conservadoras de juros e crescimento, empresas aumentam a resiliência e posicionam-se para acelerar quando as condições macroeconômicas se tornarem mais benignas.

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