Relatório do BTG Pactual indica que as redes de farmácias brasileiras permanecem em trajetória de crescimento graças ao salto de 9,3 % nas vendas da indústria em julho, impulsionado pelo avanço de 11,2 % dos genéricos e pela participação de 11 % dos medicamentos GLP-1 no faturamento do segundo trimestre.
Levantamento do Sindusfarma reforça demanda resiliente
Os números de julho divulgados pelo Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma) mostraram que o sell-out — métrica que acompanha as unidades efetivamente vendidas ao consumidor final — cresceu 9,3 % em relação a julho de 2025. Na comparação com junho de 2026, o indicador permaneceu praticamente estável, validando a percepção de demanda consistente por medicamentos no varejo.
No acumulado de 2026, o ritmo de expansão moderou: o primeiro trimestre registrou alta de 13,5 %, enquanto o segundo trimestre avançou 9,3 %. Para os analistas do BTG Pactual, a desaceleração era esperada após uma base comparativa mais forte no início do ano, mas não compromete a tese de crescimento estrutural do setor.
Genéricos seguem como pilar estratégico de volume e margem
A categoria de medicamentos genéricos voltou a superar o desempenho médio do mercado. O crescimento de 11,2 % em julho sucedeu altas de 9,8 % em junho e 7,4 % em maio, consolidando tendência positiva no ciclo de reposicionamento de preços e ampliação do acesso.
Segundo o BTG Pactual, o avanço dos genéricos contribui em duas frentes: aumenta o tráfego nas lojas físicas — por oferecer alternativas de menor preço — e melhora as margens, já que a estrutura de custo é mais favorável às redes de farmácia do que aos medicamentos de referência. Essa dinâmica sustenta a competitividade do varejo frente a modelos de e-commerce e programas de desconto diretos da indústria.
Medicamentos GLP-1 ampliam relevância no faturamento
O “boom” dos análogos de GLP-1, classe terapêutica destinada a obesidade e diabetes tipo 2, permanece como vetor de crescimento acelerado. No segundo trimestre de 2026, esses produtos responderam por 11 % da receita das empresas acompanhadas pelo banco e adicionaram cerca de 5 pontos percentuais ao top line combinado de 16 % do setor.
Os analistas destacam que, embora haja possibilidade de normalização de demanda à medida que novas moléculas entrem no mercado, o segmento ainda possui baixa penetração relativa na base potencial de pacientes brasileiros, o que sugere curva de adoção ascendente nos próximos semestres.
Recomendação do BTG reforça visão construtiva para o setor
A partir dos dados recentes, o BTG Pactual manteve a recomendação de compra para o conjunto das redes listadas em bolsa, citando três fundamentos essenciais:
- Avanço robusto dos genéricos, que impulsiona volumes e margens;
- Demanda inelástica por tratamentos crônicos, sustentando tráfego nas lojas;
- Participação crescente dos GLP-1 no mix de vendas, elevando o tíquete médio.
O banco avalia que, mesmo com a normalização parcial do crescimento trimestral, a combinação desses fatores mantém o segmento em trajetória saudável, com perspectiva de expansão de dois dígitos no faturamento anual.
Movimentação estratégica das companhias listadas
As principais varejistas farmacêuticas — Raia Drogasil, Pague Menos e D1000 — intensificaram iniciativas para capturar as tendências destacadas. Entre as ações citadas no relatório estão:
1. Expansão de lojas focadas em conveniência para elevar capilaridade em regiões metropolitanas e cidades médias;
2. Programas de fidelidade refinados, que coletam dados de compra e criam ofertas personalizadas, especialmente em tratamentos crônicos;
3. Parcerias com laboratórios para assegurar estoque regular de GLP-1, mitigando riscos de ruptura e perda de receita.
De acordo com o BTG Pactual, essas movimentações operacionais visam maximizar sinergias entre genéricos de alto giro e medicamentos inovadores de alto valor, fortalecendo a posição competitiva das redes frente a players de marketplace.
Conclusão Técnica
Os dados do Sindusfarma confirmam demanda contínua por medicamentos no varejo, enquanto o BTG Pactual sustenta visão otimista fundamentada em três pilares: força dos genéricos, resiliência do consumo farmacêutico e escala crescente dos GLP-1. O cenário atual aponta para crescimento anual de dois dígitos e manutenção da atratividade das ações do setor. A expectativa é de que, nos próximos trimestres, a ampliação de mix de produtos e a expansão física continuem ancorando ganhos de participação de mercado, enquanto a penetração dos tratamentos para obesidade e diabetes segue elevando o tíquete médio e sustentando margens.



