Bradesco projeta lucro de R$ 7,1 bi no 3T26 e encara teste de rentabilidade após aporte de R$ 10 bi

Projeções de mercado indicam que o Bradesco deve apresentar lucro líquido ajustado de cerca de R$ 7,145 bilhões no terceiro trimestre de 2026, avanço de 15% em relação a igual período do ano anterior, enquanto o retorno sobre patrimônio (ROE) tende a permanecer pressionado pelo recente aumento de capital de quase R$ 10 bilhões.

Recuperação gradual mantém foco na rentabilidade e na inadimplência

A fase de ajustes iniciada pelo Bradesco há cerca de um ano segue em curso, com resultados que, segundo o consenso Bloomberg, devem confirmar um movimento de retomada ainda moderado. Para o 3T26, analistas projetam ROE de 15,9%, superior aos 14,7% registrados doze meses antes, porém aquém dos 16,2% vistos no trimestre imediatamente anterior. A diferença reflete, principalmente, o impacto da capitalização concluída em outubro, que elevou a base de patrimônio e, consequentemente, a régua de exigência sobre o retorno gerado.

Na avaliação da XP Investimentos, a expectativa é de um trimestre “sólido”, sustentado por expansão saudável das receitas. O desafio, entretanto, permanece no controle da inadimplência, que ainda apresenta tendência de alta em determinados nichos de crédito, preservando o custo de risco em torno de 3,6%, de acordo com estimativas do Citi.

Estratégia de carteira privilegia linhas garantidas e segmentos corporativos

O Itaú BBA prevê desaceleração na expansão da carteira total para aproximadamente 10% em doze meses, com maior peso de operações asseguradas. Na prática, a instituição de Osasco tem priorizado:

  • Empréstimos a pequenas e médias empresas (PMEs) respaldados pelos fundos garantidores FGO e FGI;
  • Crédito imobiliário, beneficiado por prazos longos e colaterais robustos;
  • Redução no ritmo de concessões em financiamento de veículos e cartões voltados a consumidores de menor renda.

A mudança de mix, embora positiva para a qualidade dos ativos, limita a margem financeira. O banco também lida com pressões decorrentes da composição menos rentável de empréstimos e do aumento de capital, que reduz, temporariamente, a alavancagem operacional.

Seguradora e receitas de serviços aliviam efeito da provisão para perdas

Relatórios de Goldman Sachs e Safra convergem ao apontar a Bradesco Seguros como principal fonte de compensação para possível fraqueza na margem bancária. Ao fim de 2025, a subsidiária detinha valor contábil de R$ 12,4 bilhões, reforçado pela reorganização societária que integrou a Bradsaúde. Com essa estrutura, as linhas de prêmios de seguros, tarifas bancárias e operações de mercado sustentam parte da geração de receita, mitigando a pressão do custo de risco.

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Do lado das despesas, a gestão tem defendido disciplina consistente, condição reforçada pelo CFO, Cassiano Scarpelli, em entrevista concedida em setembro. O executivo reiterou que a capitalização recente amplia o fôlego para crescimento, mas exige alocação criteriosa para que os retornos superem o custo do novo capital.

Indicadores que o mercado observará na divulgação de 22 de outubro

Na apresentação marcada para quinta-feira, analistas devem concentrar perguntas e análises em cinco frentes:

  1. Evolução do ROE pós-aumento de capital e expectativas para retorno de dois dígitos altos em 2027;
  2. Qualidade da carteira, sobretudo em linhas emergenciais, agronegócio e cartões massificados;
  3. Eficiência operacional diante de potenciais sinergias com a plataforma digital e automação de processos;
  4. Desempenho da Bradesco Seguros e possibilidade de novas reestruturações societárias para liberar valor;
  5. Guidance para 2027, incluindo metas de crescimento de crédito, margem com clientes e custo de risco.

Conclusão técnica

Os números preliminares sugerem que o Bradesco avançou mais um passo na trajetória de recuperação, sustentado por lucro ajustado em alta e ganho incremental de rentabilidade. Contudo, o aumento de capital de R$ 9,9 bilhões impõe pressão adicional ao ROE, enquanto a inadimplência em segmentos específicos demanda vigilância. A estratégia de reforçar linhas garantidas e apoiar-se no resultado da seguradora forma um colchão contra oscilações da margem financeira. O balanço do 3T26, a ser divulgado em 22 de outubro, deverá confirmar a tendência de melhoria gradual e indicar se o banco dispõe de tração suficiente para converter a recuperação em crescimento sustentável ao longo de 2027.

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