A menos de um mês da COP30, em Belém (PA), um levantamento internacional revela que o Brasil segue no centro da crise florestal. O país perdeu 3,84 milhões de hectares de florestas tropicais úmidas em 2024, volume que corresponde a 47,3% da perda global registrada no ano.
Segundo a Avaliação da Declaração Florestal, elaborada por entidades científicas e organizações como WRI e WWF, 91% dessa área desmatada localiza-se na Amazônia. Embora o índice represente queda de 22% em relação a 2023, ele ainda triplica o limite considerado compatível com a meta de zerar o desmatamento até 2030.
Degradação e emissões
Além da derrubada, 6,2 milhões de hectares de florestas brasileiras sofreram degradação em 2024, sobretudo por incêndios e exploração seletiva. Os focos de fogo na Amazônia responderam por 65% dessa degradação, queimando 5,8 milhões de hectares.
As chamas liberaram 791 milhões de toneladas de CO2 equivalente, superando as emissões anuais da Alemanha. Somada à mudança de uso da terra, a emissão brasileira alcançou 1,19 gigatonelada de CO2e, o que representa 41% das emissões globais ligadas ao desmatamento tropical. No total, o país emitiu 2,38 Gt de CO2e em 2024, sendo metade proveniente de desmatamento e degradação.
Metas em risco
O Brasil se comprometeu a restaurar 12 milhões de hectares de vegetação até 2030, mas, até o ano passado, apenas 1,47 milhão de hectares (12% da meta) havia sido recuperado. Mantido o ritmo atual, cerca de 250 mil hectares por ano, será necessário triplicar o esforço para cumprir o prazo.
O relatório destaca que o país é o único entre os cinco maiores desmatadores que conseguiu redução consistente nas taxas em 2023-2024. Entretanto, mais de 90% das derrubadas permanecem ilegais. O documento também aponta a aprovação da Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei nº 15.190/2025) como fator que pode impulsionar novas derrubadas, ao lado de legislações estaduais que flexibilizam regras de conservação.
Potencial e desafios
A avaliação ressalta avanços em rastreabilidade de cadeias produtivas, como o Selo Verde, o Plano Nacional de Identificação de Bovinos e Búfalos e a plataforma AgroBrasil+Sustentável. Se mantiver segurança jurídica e controle ambiental, o país pode atrair até US$ 50 bilhões anuais em investimentos verdes. Contudo, a suspensão temporária da Moratória da Soja e normas estaduais que reduzem áreas protegidas indicam riscos de retrocesso.
Imagem: Michael Dantas via oglobo.globo.com
Em escala global, foram perdidos 8,1 milhões de hectares de florestas tropicais em 2024, número superior à média de 6-7 milhões dos anos anteriores. Países desenvolvidos continuam a impulsionar a derrubada por meio da importação de commodities como soja, carne, madeira e óleo de palma.
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O Brasil chega à COP30 diante de um dilema: consolidar-se como líder da transição verde ou repetir ciclos de avanços e retrocessos. As negociações em Belém serão decisivas para definir esse caminho.
Com informações de O Globo



