Brasília espera avanços em acordos antes de confirmar visita de Estado entre Lula e Trump

O telefonema realizado nesta semana entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impulsionou nos bastidores a possibilidade de uma visita de Estado de Lula a Washington no início de 2026. Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que a conversa serviu para “amadurecer” o convite, mas condicionam a confirmação da viagem a progressos concretos em negociações bilaterais que estão em curso.

De acordo com fontes do Itamaraty, o governo brasileiro quer concluir entendimentos em áreas consideradas estratégicas antes de anunciar oficialmente a data. Entre os temas em discussão estão comércio, mudanças climáticas, cooperação em defesa e facilitação de investimentos. A equipe de Lula pretende apresentar resultados tangíveis que justifiquem o deslocamento, evitando que a visita tenha caráter meramente protocolar.

Na avaliação de diplomatas brasileiros, uma das prioridades é remover barreiras a produtos agrícolas do país no mercado norte-americano. Também há expectativa de avanços em iniciativas ligadas à transição energética, com ênfase na produção de hidrogênio verde. Esses pontos já foram abordados em encontros preparatórios entre representantes dos dois governos e devem voltar à mesa nos próximos dias.

Outro assunto sensível refere-se ao meio ambiente. O Planalto quer incluir no pacote de anúncios a ampliação de financiamentos para projetos de conservação da Amazônia. Ainda não está claro, contudo, se Washington aceitará aumentar sua participação financeira no Fundo Amazônia ou criar uma nova linha de crédito voltada a ações de fiscalização e desenvolvimento sustentável.

Pessoas envolvidas nas tratativas afirmam que o formato da viagem — designada como “visita de Estado”, a mais alta categoria do protocolo diplomático — exige planejamento minucioso, que vai desde a aprovação de discursos até a definição de eventos culturais paralelos. O governo brasileiro trabalha com a janela de janeiro a março, mas ressalta que o cronograma dependerá do andamento dos acordos.

Em paralelo, o Ministério das Relações Exteriores mantém diálogo com o Congresso Nacional para assegurar que eventuais compromissos assumidos possam ser ratificados sem grandes obstáculos. A intenção é evitar atrasos que comprometam a credibilidade das promessas a serem seladas em Washington.

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Imagem: valor.globo.com

Se confirmada, a visita será a primeira de Lula aos Estados Unidos desde que Trump reassumiu a Casa Branca. A viagem marcaria também o retorno de um presidente brasileiro a Washington em formato de Estado após mais de uma década — a última ocorreu em 2011, quando Dilma Rousseff foi recepcionada pelo então presidente Barack Obama.

Até que haja definição sobre os acordos, o Planalto pretende manter reservas sobre detalhes do encontro. A orientação é aguardar resultados concretos para, então, anunciar oficialmente a agenda.

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Com informações de Valor Econômico