Disputa pelo Ministério da Fazenda e sinais ao mercado concentram atenções após a divulgação, em 26 de outubro de 2026, de relatório do BTG Pactual que analisa o cenário político do quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva. O documento detalha nomes cotados, possíveis ajustes de curto prazo e limitações estruturais que podem influenciar a condução econômica a partir de 2027.
Principais cotados: capital político, perfil técnico e capacidade de articulação
O BTG Pactual identifica pelo menos cinco potenciais titulares para a Fazenda, cada qual com vantagens e riscos distintos:
- Geraldo Alckmin – Vice-presidente da República. Sua eventual nomeação sinalizaria maior flexibilidade para negociar ajustes e conter o avanço das despesas, mas enfrenta resistências internas por ser considerado menos articulador no Congresso.
- Rafael Fonteles – Governador reeleito do Piauí. Visto como conciliador e com formação técnica, precisaria abrir mão do mandato estadual recém-renovado, operação politicamente sensível.
- Dario Durigan – Ministro da Fazenda. Mantê-lo daria continuidade operacional, porém o relatório indica percepção de pouca densidade política para enfrentar o novo Legislativo.
- Bruno Moretti – Ministro do Planejamento e Orçamento. Ganhou proximidade com Lula durante a campanha; pode permanecer no MPO ou migrar para a Fazenda, mantendo linha de atuação semelhante à atual gestão.
- Gabriel Galípolo – Presidente do Banco Central. Considerado improvável para a pasta devido ao desgaste ocorrido em 2026 durante o debate sobre juros.
Segundo o banco, a decisão final servirá como primeiro termômetro sobre a disposição do governo para equilibrar as contas públicas em ambiente legislativo mais conservador.
Agenda fiscal imediata: foco no contingenciamento e meta primária
A equipe econômica atual defende a adoção de medidas de curto prazo antes mesmo da posse do novo ministro. O relatório ressalta três pontos centrais:
- Projeto de lei complementar que autoriza o Executivo a perseguir o centro da meta de resultado primário, expandindo a parcela de despesas sujeitas a bloqueio. Essa mudança visa facilitar o cumprimento da meta de superávit de 0,5 % do PIB em 2027.
- Preservação do arcabouço fiscal com limite de crescimento real das despesas de até 2,5 % ao ano, evitando renegociações profundas no início do mandato.
- Resistência a alterações em pisos constitucionais para saúde, educação e regras de indexação do salário mínimo, temas considerados de alta sensibilidade política.
O BTG argumenta que, ainda que o contingenciamento amplie o controle sobre o Orçamento, cerca de 94 % das despesas primárias permanecem classificadas como obrigatórias, limitando o efeito imediato sobre a trajetória da dívida.

Composição ministerial e governabilidade: alianças ao centro e participação do Centrão
Para construir maioria no Congresso Nacional, o relatório prevê ampliação do espaço para partidos do centro, incluindo legendas que apoiaram Flávio Bolsonaro no segundo turno. Esse desenho busca:
- Reduzir resistências a pautas de ajuste nas comissões de Orçamento e na Câmara dos Deputados.
- Distribuir cargos-chave – Casa Civil, Planejamento e bancos públicos – a aliados com trânsito parlamentar.
- Preservar autonomia técnica em áreas sensíveis, como Banco Central e Petrobras, para sinalizar continuidade de políticas já em vigor.
Entre os nomes em evidência fora da área econômica, o senador Camilo Santana é cotado para a Casa Civil, enquanto Fernando Haddad pode migrar para o Ministério da Justiça, mantendo-se no núcleo de confiança do presidente.
Conclusão técnica
O BTG Pactual conclui que a escolha do ministro da Fazenda funcionará como marco inicial para o reposicionamento fiscal do governo a partir de 2027. A tendência imediata é de soluções graduais, concentradas na execução orçamentária e na ampliação da governabilidade, enquanto reformas estruturais mais profundas deverão aguardar condições políticas favoráveis. A viabilidade da estratégia dependerá da capacidade do Executivo de construir maioria qualificada e de materializar o ajuste primário projetado sem descumprir compromissos programáticos firmados durante a campanha.



