Busca dos brasileiros por ETFs dispara 314% e desafia domínio da renda fixa, indica levantamento da Planejar

Levantamento da Planejar, elaborado pela Timelens e divulgado em 17 de setembro de 2026, revela que as buscas digitais por ETFs avançaram 313,68% em doze meses, superando o crescimento de 119% observado nas Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e sinalizando uma transição gradual do investidor brasileiro para produtos com maior diversificação de risco.

Renda fixa mantém protagonismo, mas perde exclusividade

O ambiente de juros elevados ao longo dos últimos anos ancorou o apetite dos brasileiros em títulos de renda fixa, cenário refletido na maior média contínua de buscas por CDBs registrada entre setembro de 2025 e setembro de 2026. Apesar desse protagonismo, o estudo aponta que a procura por LCAs cresceu 119%, impulsionada pela isenção de Imposto de Renda e pela percepção de menor risco de crédito em comparação a outros papéis corporativos.

Os dados sugerem que a sucessão de cortes na Taxa Selic — atualmente em 13,75% ao ano, após nova redução anunciada pelo Copom — tem levado investidores a reconsiderar exclusivamente estratégias de renda fixa. A busca por maiores retornos reais e por exposição a setores específicos reforça esse movimento, sobretudo em um momento de descompressão do prêmio de risco pago pelos títulos indexados ao CDI.

ETFs e FIIs despontam como vetores de diversificação

Os Exchange Traded Funds assumiram o primeiro lugar do ranking ao registrarem avanço de 313,68% nas pesquisas, evidenciando maior familiaridade do público com produtos que replicam índices de ações, renda fixa ou commodities. Em segundo lugar, aparecem os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs), cujas buscas cresceram 168,78%, reforçando o apelo de fluxos mensais de rendimentos isentos de IR para pessoa física.

Especialistas atribuem o salto à combinação de custos operacionais mais baixos, liquidez intradiária na B3 e transparência regulatória desses veículos. A diversificação automática de carteiras — fator central no caso dos ETFs — auxilia investidores iniciantes a mitigar riscos de concentração, enquanto os FIIs oferecem exposição direta ao setor imobiliário sem a necessidade de aquisição de imóveis físicos.

Busca por garantias institucionais cresce 446%

Embora o interesse por ativos mais voláteis avance, a pesquisa identificou aumento de 445,68% nas consultas sobre o Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O dado sugere que a expansão do apetite ao risco é acompanhada por maior atenção à proteção do patrimônio, especialmente em um mercado que ainda lembra episódios de quebras bancárias e intervenções recentes.

O FGC assegura até R$ 250 mil por CPF e por instituição em determinados produtos de renda fixa, limite que permanece inalterado desde 2023. A observação dessa salvaguarda indica que, apesar de buscarem retornos mais elevados, os brasileiros mantêm postura defensiva frente a incertezas macroeconômicas e eventuais deteriorações de crédito.

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Metas de vida e recortes demográficos direcionam escolhas

A motivação dominante para investir segue associada à aquisição de bens duráveis. As buscas relacionadas a automóvel próprio saltaram 82,53%, enquanto a compra da casa própria permanece como a meta de maior apelo entre todas as faixas etárias. O planejamento da aposentadoria, por sua vez, lidera em média de interesse contínuo ao longo do período analisado.

O estudo evidenciou ainda diferenças relevantes de gênero e geração:

  • Apenas 31% das mulheres declaram investir, ante 41% dos homens.
  • 69% do público feminino não utiliza ou desconhece produtos financeiros, e 51% avalia negativamente a própria situação econômica; entre os homens, essa percepção cai para 40%.
  • Na Geração Z, 66% mantêm conta em bancos digitais e 84% investem exclusivamente via aplicativos ou sites. Metade desse grupo (52%) planeja ingressar no mercado de criptomoedas; 8% já possui esses ativos.
  • Entre os investidores com mais de 60 anos, 75% permanecem ligados a bancos tradicionais, e 38% buscam orientação presencial de gerentes ou assessores — serviço utilizado por apenas 15% dos jovens.

Apesar da crescente adesão a ativos voláteis, o levantamento indica fragilidade no colchão de liquidez dos mais jovens: 57% daqueles que possuem reservas afirmam que o montante não cobre seis meses de despesas correntes, patamar considerado mínimo para emergências.

Conclusão técnica

A intensificação das pesquisas por ETFs, FIIs e LCAs demonstra que o investidor brasileiro busca ampliar o espectro de risco e de rentabilidade à medida que os juros recuam. Paralelamente, o salto nas consultas sobre o FGC confirma a preocupação com mecanismos de proteção, sugerindo um movimento de diversificação cautelosa. Para os próximos trimestres, a tendência é de continuidade da migração seletiva para instrumentos de renda variável com liquidez e transparência, ao passo que produtos de renda fixa seguirão relevantes como base de portfólio, sobretudo para objetivos de curto prazo e formação de reservas.