Candidatos à Presidência iniciam horário eleitoral com críticas ao Desenrola, promessa de acionar Mark Zuckerberg e defesa de chips nacionais

O início oficial do horário eleitoral gratuito nesta sexta-feira (28) marcou uma sucessão de discursos econômicos, tecnológicos e jurídicos entre os principais postulantes ao Palácio do Planalto, que variaram de críticas ao programa Desenrola até o compromisso de levar Mark Zuckerberg a um tribunal internacional.

Agendas públicas dos candidatos e o pontapé da propaganda eletrônica

O primeiro dia de veiculação de jingles no rádio e na televisão coincidiu com uma agenda intensa de compromissos presenciais:

  • Lula (PT) participou de uma caminhada em Salvador e defendeu o desempenho de seu terceiro governo, citando a reversão de um déficit fiscal de 2,8% do PIB em 2023 para um superávit de 0,1%.
  • Flávio Bolsonaro (PL) concentrou-se na preparação para a entrevista ao Jornal Nacional, agendada para 21h30, após aparecer com 44% de intenção de voto em eventual segundo turno segundo pesquisa BTG Pactual/Nexus.
  • Renan Santos (Novo) esteve em Belo Horizonte cumprindo compromissos partidários; Romeu Zema (sem partido) visitou apoiadores em Porto Alegre e Canoas; Samara Martins (Rede) dialogou com eleitores no centro de São Paulo; Ronaldo Caiado (PSD) discursou na Associação Comercial do Rio de Janeiro; e Augusto Cury (Avante) participou de sabatina de jornais.
  • Por decisão do TSE, Pablo Marçal (PRD) não realizou atividades públicas de campanha.

Promessas econômicas: de metas fiscais a reindustrialização

Ao longo do dia, os presidenciáveis apresentaram propostas direcionadas à área econômica:

Lula reiterou a plataforma de reindustrialização, indicando que pretende reduzir a dependência de commodities por meio do incentivo à produção interna de veículos elétricos, baterias, chips e smartphones. O presidente mencionou aportes do Novo PAC na Bahia como exemplo de investimentos voltados a agregação de valor na cadeia produtiva.

Em contraponto, Ronaldo Caiado repudiou o programa de renegociação de dívidas Desenrola, classificando-o como “uma farsa” e associando o elevado custo do crédito a um entrave para a retomada da produção. Citou o juro real de 9,5% como fator que, segundo ele, “quebra qualquer produtor” e desestimula o investimento privado.

Caiado também declarou que o arcabouço fiscal atual estaria “100% comprometido”, acusando o governo de manipular premissas orçamentárias. A crítica foi reforçada pela afirmação de que, com a taxa de juros vigente, “é melhor ser rentista”.

Tecnologia e responsabilidade das big techs entram na pauta

Durante sabatina conjunta de CBN, O Globo e Valor, Augusto Cury colocou em evidência o impacto das redes sociais sobre a saúde mental de crianças e adolescentes. O candidato defendeu a responsabilização pessoal de executivos de grandes plataformas, citando nominalmente Mark Zuckerberg, a quem pretende acionar em corte internacional. Entre as medidas propostas, está uma tributação mais severa sobre receitas das big techs, sob o argumento de que seus serviços podem gerar dependência semelhante à de substâncias psicoativas.

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Do ponto de vista político, Cury reiterou posicionar-se como alternativa de centro, resumindo-se na frase: “Minha mente é capitalista e meu coração é social”.

Indicadores de pesquisa e exposição midiática

A presença de Flávio Bolsonaro no principal telejornal da Rede Globo foi destacada pela coordenação de campanha como momento estratégico de visibilidade nacional. O candidato figura nas sondagens como principal adversário de Lula e tenta ampliar sua base para além do eleitorado conservador herdado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo o último levantamento BTG/Nexus, Lula e Flávio aparecem tecnicamente empatados no cenário de segundo turno, com índices de intenção de voto que oscilam dentro da margem de erro. A rejeição de ambos permanece superior à dos demais candidatos, fator que reforça a possibilidade de novas alianças partidárias nas próximas semanas.

Conclusão Técnica: O início do horário eleitoral gratuito formalizou a transição da pré-campanha para uma fase de exposição massiva, em que cada candidato busca diferenciação temática: Lula sustenta resultados fiscais e reindustrialização; Flávio Bolsonaro investe em visibilidade televisiva; Caiado foca no custo do crédito e na crítica ao Desenrola; enquanto Augusto Cury introduz a responsabilização das big techs no debate. Nas próximas semanas, o desempenho em entrevistas nacionais, a repercussão de indicadores econômicos e a evolução das pesquisas deverão calibrar o discurso de cada campanha, que agora opera sob a contagem regressiva de pouco mais de 30 dias até a primeira votação.